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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Nosso segredo.

 
Me ajeito na cama, tento, viro e reviro o travesseiro, na esperança de revirar os pensamentos também. Sozinha, mais uma vez, não consigo me acostumar. O complicado é olhar pro lado esquerdo da cama encontrar o espaço vazio, entender que o amor pode não ser suficiente para te fazer ficar. E o relógio, que fica do lado da minha cama, já me avisou que a madrugada já está terminando e eu ainda não consegui dormir. Já são quase 6h, e lembro bem que era a hora que você acordava e me observava dormir, sentia sua respiração como vento, dançando pelo meu rosto, fazendo carinho na minha alma. Acho que agora é muito mais do que não te ter comigo, é o fato de seguir sempre sabendo que tem pedaços de mim com você, pedaços que eu não sei se um dia irei recuperar.

Sinto falta de saber como você está, sinto falta de te contar sobre mim. Por falar nisso, joguei fora aqueles entulhos velhos que eu cismava em falar que eram lembranças, acho que porque com você, construi lembranças melhores. Tentei de todas as formas melhorar na aparência, compro roupas quase toda semana, acho que o cabeleireiro nem aguenta mais me encontrar. Estou naquela tentativa fútil de me convencer que consigo ser linda e feliz sem você. Quem sabe dá certo, né? Quem eu quero enganar, afinal, não consigo deixar pra lá sua voz no pé do meu ouvido, nem aquela noite estrelada que, pela primeira vez, contei todos os meus segredos para alguém, sem receios, sem armas.

Esse fim de tarde, checando as atualizações do facebook, vi sua foto, sorridente com uma morena baixa de rosto estranho. Quem é ela? O que ela representa para você? Faça mil favores, não precisava ser tão rápido, já me esqueceu? Desculpa, mas ainda não tá fácil para mim, cogitar remotamente a possibilidade de outra pessoa do seu lado, te chamando de "meu", você sabe a quem você pertence de verdade, você sabe aonde deixou seu coração, seus segredos e sua camisa rasgada com seu perfume barato. Você sabe, que nossas brigas são consequências do gigante orgulho que teimamos em deixar vivo.

Mas aqui estou eu, te contando o maior segredo que eu já contei para alguém, deixando para lá aquele orgulho que fiz questão de preservar pelo longos anos que estivemos juntos, esquecendo o roteiro, esquecendo o talvez. Eu preciso de você, preciso te ver e saber como foi seu dia, não posso e não quero te perder. Me diz que ainda sente tudo da forma que eu sinto, que ainda tem espaço dentro do seu coração para mim, para nossa história e para um recomeço, quem sabe, sem tantas denominações e questionamentos. Não me interessa ser sua namorada, amiga, esposa.. Desde que esteja contigo. Meu maior segredo é você, é precisar desse amor, precisar de você, como o ar. 

Preciso saber se eu ainda sou seu segredo. Me conte. Me diz. O que falta para você bater na minha porta, descabelado e com aquele velho discurso de sempre. O que falta para você esquecer que um dia quisemos ficar distantes. O que falta para continuarmos escrevendo esse nosso segredo, que sempre foi saber amar.

Ouvindo: Segredo - Sandy

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O tal do cochicho...


Cheguei em casa hoje e encontrei minha prima de 11 anos brincando com mais duas amigas. Sabe aquela coisa peculiar de criança em fingir que está tudo normal, então, ela fez, depois cochichou algo com as amigas e eu lembrei que fazia igual. Mas o ponto importante de fato é que pela primeira vez eu foi o cochicho e não quem cochichava. 

Geralmente, quando crianças temos mania de achar que enganamos bem todo mundo, quando na verdade somos facilmente decifrados, mas não estrague a graça de disfarce. E sempre fazemos fofoca quando alguém passa, se for alguém que gostamos falamos coisas incríveis da pessoa, só para deixar as amiguinhas com inveja, ou se é alguém que detestamos falamos algo horrendo só para não ter chances das amigas se enturmarem com a certa pessoa.. E nos dois casos, sempre se aumenta um pouco a história, não é verdade?

Subi as escadas pensando em qual lado da história eu estava no cochicho da minha prima. Será que ela disse que sou um prima rabugenta que vive presa em seu calabouço?  Não duvido. Afinal, é a verdade! Fiz um flashback e lembrei do quanto já cochichei sobre a vizinha, sobre o carteiro, o pedreiro, o outro vizinho e até o novo namorado de uma periguete da rua. QUE SAUDADE DO COCHICHO!! Até ontem isso era hábito e hoje sou cochicho. 

Depois de um tempo o cochicho perde força, você deixa de contar segredos da sua vida - e da dos outros - e começa a conversar sobre o clima, o trânsito e aumento da inflação. E quando conta segredos, apenas conta. Não há aquele disfarce para contar algo que ninguém perceba, aquele espanto de quem escuta, a imaginação de quem conta, não tem tanto prazer em contar algo. Mas o cochicho, a esse é o melhor!

O que ficou marcado é que certas coisas não mudam, aquela vila que ontem era meu parque de diversões, hoje é palco das brincadeiras da minha prima. Tudo igual, eu diferente! Ai o tempo vai passar e logo, logo, loguinho ela será a prima rabugenta que vive em um calabouço de um outro primo mais novo que com certeza, vai estar cochichando com um amigo assim que ela passar. 

Somos previsíveis e sabemos disso, mas cochicha porque ela não pode escutar.