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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Romance solitário..



Li uma vez, em alguma postagem por ai, uma frase que gostei muito. Dizia, mais ou menos que, se você não se sente bem quanto está sozinho, é porque está em péssima companhia. Gostei dessa teoria, afinal, nunca estamos "sozinhos" de fato, sempre teremos a nós mesmos. Faz sentido? É, complexo!

Eu sou daquelas que, na grande maior parte do tempo, se encontra sozinha, e isso não é de hoje. Acho melhor, sempre fiquei com meus pensamentos confusos, minhas dúvidas, minhas conclusões, certezas, meus conselhos, minhas broncas. Sempre estava ali, comigo, quando eu precisava. Não estou, em momento nenhum, dizendo que não preciso de ninguém, nem que nunca ninguém me ajudou, muito pelo contrário. Quero apenas dizer, que aprendi a conviver comigo. Confesso que teve vezes que nossa relação não fluiu muito bem. Houve momentos que quis me por de volta em uma placenta e me despachar de volta pro útero. Mas fiquei. Ficamos. Eu nunca me abandonei. Somos como aquele casal sem vergonha, que brigam todos os dias, mas sempre no final da briga, acabamos na boa, em mil amores. Eu me amo, aprendi a me amar, mas nem por causa disso as coisas se tornam mais fáceis. Tem dias que meus defeitos são irritantes, tem outros que o reflexo no espelho me irrita, há alguns que eu me martirizo com algo que falei ou fiz sem pensar. Enfim, nossa relação não é só flores.

Mais do que ter meu espaço e me sentir segura, eu tenho o dom de me sentir, segura de mim, comigo mesma, em qualquer lugar. Posso estar na rua, sozinha a noite, não sinto medo, nem me sinto só. (o que é redondamente errado, nesse caso, mas foi só um exemplo.) Já passei por muita coisa comigo, olha lá, 17 anos já são alguma coisa. Eu já chorei em meu colo, e sorri com o meu sorriso. Eu estive comigo em todos os momentos, aqueles de descoberta, de sonhos, de dúvidas complexas, de felicidade absurda, ou de medo terrível. Só cheguei até aqui por mim, e pela coragem que construimos juntos. Descobri que aquele lance de sermos nossa melhor amiga e nosso melhor amor, faz todo sentido aplicado a realidade. 

Pessoas entram e saem de nossas vidas diariamente, em cada instante. E certeza do retorno delas é o fagulha incerta do destino. Apenas um pessoa, nesse mundão de meu Deus, que sempre, em todos os momentos vai estar com você, VOCÊ MESMO! 

Tudo bem, a vida não é nada fácil, nem justa. Mas ela tá ai, para ser sentida, afinal, é preciso sentir, sentir muito para descobrir a ponta inicial do que é viver. Mas, conforte-se sabendo que, dentro de você, tem uma voz, que sempre te guiará, sempre terá o melhor para te dizer. Terá o melhor, porque quer o seu melhor, porque entende o que você nem imagina. Aquela voz, dentro de você, sabe o motivo dos seus pensamentos loucos e das noites em claro. Siga essa voz. Ela nunca te abandonará. Você ainda passará por bons e maus bocados com ela. Confie! Nela você pode confiar cegamente. 

E sempre que luz do quarto se apagar, para que um noite de sono comece, lembre-se, mais uma vez, que você nunca estará sozinha. E que em qualquer lugar do mundo, pode ser a sua casa, desde que você seja para você, a melhor companhia do mundo. E viva um romance que tem tudo para dá certo!

Ouvindo: Mirrors - Justin Timberlake

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Daqui a 10 anos..


O que será que eu vou sentir quando olhar no espelho daqui a 10 anos? Vou estar batendo na porta dos 30 e com certeza não terei mais todo o tempo do mundo. Acredito que conquistarei muita coisa, desistirei de outras. Quem será que serei daqui a 10 anos? Será que meu cabelo continuará da mesma cor? E a forma de eu olhar o céu, mudará? Será que daqui a 10 anos vou esquecer dessas teorias baratas que invento toda madrugada na tentativa de me convencer que tudo está sempre bem? Será que continuarei sonhando como hoje? Será que serei uma mulher séria e decidida, ou uma mulher brincalhona que finge que não cresceu? Será que terei filhos? Será que estarei casada? Será que estarei amando ou sofrendo? O que será que as pessoas comentam quando ouvem meu nome? 10 anos! Tudo vai mudar. Como vai mudar amanhã, quando eu acordar. Como mudou hoje, quando eu acordei. Como muda a cada dia. Novas ideias que nascem, velhos medos que morrem, novos amores, velhos amigos, velhas histórias, novas lembranças. Dia a dia, segundo a segundo. A vida é um instante!!

Mas será que em uma manhã de inverno, quando eu acordar mais cedo que o habitual e encarar o espelho, depois de 10 anos, verei o olhar daquela menina que tinha medo dormir no escuro e acreditava que um dia, um dia sim, tudo daria certo. Será que quando eu lavar meu rosto pela manhã, depois de escovar os dentes, sentirei a mesma doçura no sorriso, sentirei no meu rosto a mesma verdade que transmito hoje? Será que mesmo com tudo mudando continuarei com a mesma essência?

Não sei onde estarei daqui a 10 anos. Não imagino lugar, casa ou apartamento, andar, classe social. Só penso em como vai estar minha alma, penso que o interior é muito mais importante. Quero saber como estará minha alma! Hoje tenho sonhos adolescentes, acredito no amor, quero ser alguém e conhecer o mundo. Amanhã posso me arrepender das tatuagens, dos impulsos, das bebedeiras, das decisões, das infantilidades e da cor da parede. Dizem, que uma hora ou outra você cresce, você muda a forma de ver a vida e amadurece tanto a ponto de endurecer. Não quero que isso aconteça comigo, não quero, independente das porradas que a vida me dê, não quero deixar esquecido, no canto da sala, meu brilho no olhar e a felicidade em caminhar. Não quero abandonar tudo que a meus poucos 17 anos me ensinaram.

Não importa qual reflexo eu verei no espelho daqui a 10 anos. Quero amanhã, preservar meus valores e conceitos, minhas verdades e sonhos (mesmo não realizados). Quero sorrir por ter vivido. Não quero ter medo de soprar as velinhas e fazer mais um ano de vida. Quero me orgulhar de cada ano de vida e que meu amadurecimento não me endureça, apenas me ensine a viver melhor, a ser melhor, melhor para mim, para quem eu amo.

Não quero deixar minhas músicas de velho, nem minhas músicas de criança. Quero levantar da cama e independente do estilo de roupa que eu use, quero me sentir viva por dentro, feliz com as atitudes que tomo. Gosto de olhar para trás e sentir falta do passado, mas não quero nunca que meu passado seja melhor que o meu presente, pois eu sei, e sempre saberei que o poder de mudar tudo sempre estará nas minhas mãos. Que eu olhe no espelho daqui a 10 anos e veja a melhor parte de mim.. 

Ouvindo: Sálvame - RBD

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Espelho, espelho meu..



Olhando assim, parece que meus olhos estão maiores, minha boca ganhou um formato bonito. Meus cabelos finalmente chegaram ao ombro e eu prometi que não vou mais cortar a franja. Meu corpo também mudou, minhas pernas e braços, minha forma de andar e falar, até mesmo o olhar. A forma de olhar e ver o mundo, a forma com que me expresso e olho para dentro de mim. As ideologias se expandiram, e alguns paradigmas foram quebrados, Mudei meu gosto musical, estilo, vocabulário e leituras. Aprendi a conviver sem algumas pessoas, ganhem outras pessoas. Ganhei algumas verrugas e minha unhas cresceram bastante.

E olho de novo pro espelho, eu sou tudo que sinto, que vivo, que falo. Sou tudo que me rodeia e que eu sonho. Sou esse quarto bagunçado, sou esse amontoado de roupas no guarda-roupas e de ideias na cabeça. Sou aquele plano que precisa de outros 10 antes para se realizar. Sou presente e passado. Sou estranha na minha loucura e normal na minha maturidade. Sou um pouco de tudo, sem definições e sem tipo. Mas o espelho só me reflete um EU! Aquele que eu uso para sair por ai, para sorrir a todos a minha volta. A cara que eu uso, aquela que é de pau, de chata, de reclamona. Mas é uma querida! A cara que eu do a tapa diariamente com cada opinião expressada e a cara que, vendo no espelho, mudou tanto. É só essa que você conhece. Só você conhece, eu, por exemplo, nunca a vi. É bonita? Pelo espelho eu vejo que dá para melhora-la, mas não tá ruim não. Nunca estamos satisfeitos mesmo.

Mas de verdade, eu sou muito mais que esses traços que vocês conhecem, sou muito mais que meu tênis sujo e meu casaco rasgado. Eu gosto de ser bem vestida, mas não dispenso meus trapos. Você não conhece os traços da minha alma, não conhece a verdade que existe dentro do meu coração. Você não sabe que eu sonho ouvindo uma música, você não sabe que eu fico sem graça com um elogio, você não sabe que eu sorrio quando vejo as luzes da cidade. E você nunca vai saber se isso é verdade ou mentira. Eu sou uma incógnita até para mim e você ainda quer me convencer que me conhece? Bem, então me conte quem eu sou. Também quero saber. 

Eu no auge da minha crise existencial, descobri que sou aquele monte de coisas que já quis um dia, tudo que faltou ser, tudo que sobrou em mim e virou banal, sou os medos antigos e atuais, sou os sonhos presentes também, sou um pouco dos meus pais, sou um pouco do que a astrologia diz, sou um pouco do que minha alma me diz. E o resultado disso, é uma equação. Mas eu nunca fui boa de matemática, prefiro nem resolve-la. Deixa eu me perder por dentre minhas linhas, deixa eu brincar de me achar nas palavras e me perder de novo quando chegar o ponto final. Deixa eu brincar de ser o que quero, hoje uma, amanhã duas de hoje.. Sempre me intensificando, até descobrir qual o reflexo que mais gosto de ver no espelho. Porque não é só na aparência que mudamos, a alma muda muito mais depressa, e essa mudança, seus olhos não acompanham. É silenciosa, aqui dentro, em cada batida do meu coração.

Ouvindo - O que faltou ser - Sandy