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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Primeiras semanas em São Paulo.


Duas semanas em São Paulo. O que eu posso dizer? Cheguei em São Paulo justo no dia que a cidade completava mais um ano. E de lá para cá, entendi o significado da palavra CORRERIA. E entendi também o por que dela viver na boca dos paulistanos. Sim, aqui é a uma correria sem fim e sem nome. Mas é uma correria gostosa. Uma correria que diz que você tem o que fazer, tem lugares para ir, hora para estar. O tempo voa por aqui. Uma correria que diz: Parabéns, você cresceu.

Tem gente que diz que Paulista é antipático. Bem, eu já achei o contrário. Durante esse curto tempo que estou aqui só conheci pessoas incríveis, simpáticas, solicitas e com uma vibe incrível. Uma coisa bacana de São Paulo é que aqui todo mundo está buscando alguma coisa, todo mundo quer seu lugar, independente de onde ele seja, todos estão na luta de algo, na luta pelos sonhos. E bem, agora sou mais uma por aqui.

São Paulo não passa mão na cabeça de ninguém. Não existe aquela facilidade que eu encontrava no Rio. Por lá é tudo pro dia seguinte, aqui é tudo para ontem. É um ritmo que estou pouco e pouco me acostumando. Pegar metrô lotado às 18h, dormir no ônibus e perder a parada, sair de casa antes do sol nascer, passar o dia andando e rodando sem comer. Nada mal. E o melhor? Me senti feliz em todos esses momentos.

Às vezes bate uma insegurança, um medo. Afinal, tenho 17 anos. Poderia estar em casa, dormindo o dia inteiro e comendo chocolate, ou poderia estar na faculdade perto de casa, ou até mesmo me preocupando apenas com namoricos e homens, como a maioria das garotas da minha idade. Mas não, estou aqui preocupada com o aluguel e no que vou fazer para o almoço. Responsabilidades que eu poderia não ter agora, como dizem, poderia curtir a vida. Mas a tal vida que curtimos é feita de escolhas. E se eu tenho que pular algumas fases, se eu tenho que amadurecer mais do que deveria, se eu devo ser forte para conseguir o que busco, então aqui faço minha escolha.

Mas em geral, na grande maior parte do tempo, me sinto feliz. E muito feliz. Grata a vida e ao universo assim de tudo estar conspirando, apesar dos pesares. Quando me sinto fraca, logo vejo um logo com "São Paulo" ou olho para o lado e vejo o movimento de pessoas e me lembro que é real. Sim, eu estou aqui. Sim, eu estou no caminho certo. E assim eu sigo. Com a cabeça erguida e fé.

Esse é apenas o começo mas me sinto feliz por começar com os dois pés direitos. Agora começa a faculdade, começa o emprego e uma nova fase.. O que me espera? Depois eu conto para vocês.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Último dia ou primeiro dia?


Hoje não foi um dia fácil, nem um dia curto.. Foi um longo dia, cheio de emoção e sentimento. Meu último dia na cidade. Bem, desde que o ano começou eu saiba que esse dia estava cada vez mais próximo, mas não esperava que fosse tão difícil sobreviver a ele. Hoje eu andei pelas ruas e parece que cada esquina me trazia uma lembrança, uma história divertida, uma pessoa que sinto saudade.. Quase consegui ouvir minha risada de porquinho ecoando através do tempo. Ah, o tempo... Ele passa! E passou.

Muita gente não entende essa minha escolha. Talvez seja loucura? Sim, talvez. Mas quem me conhece sabe que ser normal nunca foi a minha praia. Como eu sempre digo, eu não escolhi São Paulo, São Paulo que me escolheu. Desde pequena sempre fui sonhadora e metida a "dona do nariz" e até hoje sigo assim, olha como são as coisas.. Só que chega um momento que os sonhos que você faz todas as noites antes de dormir, os sonhos que você planeja, os sonhos que você perde o sono imaginando quando acontecer.. Chega uma hora que eles não cabem mais apenas no seu pensamento. Meus sonhos não cabiam na minha realidade. Então chega aquela hora crucial: Arregaçar as mangas e ir ou ficar com o rotineiro dia a dia aceitando o que vier. Vocês imaginam qual foi minha escolha, né?

Não foi fácil. Mas desde pequena aprendi que quando você quer muito uma coisa, do fundo do seu coração e fecha seus olhos e pede com força, o universo traz isso de alcance para você. Se isso faz seu coração pulsas, seu estômago girar com borboletas.. É o caminho certo. É por esse frio na barriga, pelo brilho nos olhos e pelo amor no coração eu sigo. Vocês não imaginam quanto isso é especial e importante para mim. Como eu conversava com uma amiga esses dias, muito mais que ir atrás de um sonho, é um experiência de vida que eu sinto que preciso colocar no meu currículo de vida.

Aqui eu tenho tudo que eu amo. Minha família, meus amigos, conforto e aconchego. Creio que vivi todos esses anos em uma bolha. As ruas de sempre, os lugares de sempre, as pessoas de sempre.. E não reclamo disso. Mas agora, eu preciso voar e ver o que existe atrás das montanhas, entendem? Sei que para alguns não está sendo fácil e acreditem, para mim também não. Mas tudo na vida é questão de costume e adaptação. 400km e meu coração divido.. Saiba que todos sempre estarão nele.

Quero agradecer de verdade por todo o apoio, todo carinho e força que estou recebendo. Não imaginam o quanto isso me faz bem. Acho que de nada vale a vida se não tocarmos o coração das pessoas e nesse momento sinto e sigo feliz por saber que de alguma forma, pequena ou grande, eu toquei o coração de vocês. E isso para mim, valeu por tudo! Obrigada a minha mãe, a minha família INTEIRA, aos meus amigos e até os colegas nem tão chegados que com todo carinho me apoiaram. Jamais esquecerei.

Hoje mudo meu endereço, telefone, cidade e documento. Mas não mudo meu jeito de ser, nem meus princípios e caráter. A Jade de sempre está aqui, essa que vocês conheceram. A Jade louca, divertida, que só fala verdade (hahaha), a que perdeu a vergonha e nunca mais achou, a irônica, preguiçosa, sarcástica, soneca, cantora ruim, fanática, doente.. E o que mais meus amigos quiserem chamar. Continuo a mesma e principalmente, pedindo sempre, apenas para ter sempre a alegria de viver, o sorriso estampado no rosto e a fé na vida. POR QUE O RESTO, TODOS SABEM QUE EU VOU ATRÁS.

"Como diz o velho provérbio hippie: “Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida”."

Amo vocês!!! E mais uma vez.. Obrigada por tudo!!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Estou indo.. Já fui!


Pintei as unhas de preto nessa madrugada, estou saindo. Nem adianta me mandar mensagens, deixei o celular desligado. Não siga minhas pistas, não tente decifrar meus enigmas, não tente me entender. Apenas me deixe! Minha mochila nas costas e o mundo ai fora. Medo e coragem são linhas paralelas, finas e frágeis. Eu ando com força sobre elas, danço no perigo. Sigo meus instintos até o final, e seguindo eles, me vou. A maquiagem mais forte, o lápis de olho borrado e o batom escuro. Tudo isso faz parte da máscara, máscara de forte, que uso até me convencer que sou realmente assim. 
 
Já li uma vez que é difícil aprisionar aqueles que tem asas, então acho que sou filha de passarinho com borboleta. Nasci para voar. Rodar esse céu azul, e o tempestuoso também. Gosto da sensação de liberdade, do frio na barriga e de poder fazer as escolhas que quero, escolher o rumo que as minhas asas devem seguir voou. Deixar minhas unhas descascarem, só para colocar o preto mais forte de novo no lugar. Vou até o fim, preciso ver no que dá. Um dia eu volto, com histórias na mala, e, quem sabe, uma definição melhor do que é viver. Enquanto isso, vou me equilibrando na coragem e no medo. Buscando sempre um pouco de coragem em cada noite de medo.

Não quero jogar o jogo do cotidiano, não quero essa onde de "nascer assim e ser sempre assim", cada dia sou uma, uma melhor, uma pior. Já mudei de opinião, de gostos e chega de me auto conhecer! Não me venha com um questionário de Proust. Só vou sair por ai, andando pelas ruas, sem destino, sem rumo, sem casa, apenas eu e minha mochila em busca de algo que ainda não sei bem o que é.. Mas me coração me diz que é o certo. Então eu sigo, enquanto ele pulsar, o sigo!

E antes que pergunte, não temo o erro, nem a decepção, nem o fracasso. Eles fazem parte, são blocos dessa enorme composição chamada vida. Se, por acaso, pegar um caminho errado, volto e mudo o trajeto, pego um atalho, mas me recuso a viver todos os dias iguais reclamando da vida, me recuso a ser infeliz e me recuso a pesar a vida das pessoas ao meu redor. Posso ter as unhas pretas, a maquiagem forte, o ar de marrenta, mas o sorriso, esse você sempre encontrará no meu rosto. E isso é a única coisa que tenho certeza nisso tudo. Agora, com a minha mochila nas costas e meus tênis sujos, é hora de ir...


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Daqui a 10 anos..


O que será que eu vou sentir quando olhar no espelho daqui a 10 anos? Vou estar batendo na porta dos 30 e com certeza não terei mais todo o tempo do mundo. Acredito que conquistarei muita coisa, desistirei de outras. Quem será que serei daqui a 10 anos? Será que meu cabelo continuará da mesma cor? E a forma de eu olhar o céu, mudará? Será que daqui a 10 anos vou esquecer dessas teorias baratas que invento toda madrugada na tentativa de me convencer que tudo está sempre bem? Será que continuarei sonhando como hoje? Será que serei uma mulher séria e decidida, ou uma mulher brincalhona que finge que não cresceu? Será que terei filhos? Será que estarei casada? Será que estarei amando ou sofrendo? O que será que as pessoas comentam quando ouvem meu nome? 10 anos! Tudo vai mudar. Como vai mudar amanhã, quando eu acordar. Como mudou hoje, quando eu acordei. Como muda a cada dia. Novas ideias que nascem, velhos medos que morrem, novos amores, velhos amigos, velhas histórias, novas lembranças. Dia a dia, segundo a segundo. A vida é um instante!!

Mas será que em uma manhã de inverno, quando eu acordar mais cedo que o habitual e encarar o espelho, depois de 10 anos, verei o olhar daquela menina que tinha medo dormir no escuro e acreditava que um dia, um dia sim, tudo daria certo. Será que quando eu lavar meu rosto pela manhã, depois de escovar os dentes, sentirei a mesma doçura no sorriso, sentirei no meu rosto a mesma verdade que transmito hoje? Será que mesmo com tudo mudando continuarei com a mesma essência?

Não sei onde estarei daqui a 10 anos. Não imagino lugar, casa ou apartamento, andar, classe social. Só penso em como vai estar minha alma, penso que o interior é muito mais importante. Quero saber como estará minha alma! Hoje tenho sonhos adolescentes, acredito no amor, quero ser alguém e conhecer o mundo. Amanhã posso me arrepender das tatuagens, dos impulsos, das bebedeiras, das decisões, das infantilidades e da cor da parede. Dizem, que uma hora ou outra você cresce, você muda a forma de ver a vida e amadurece tanto a ponto de endurecer. Não quero que isso aconteça comigo, não quero, independente das porradas que a vida me dê, não quero deixar esquecido, no canto da sala, meu brilho no olhar e a felicidade em caminhar. Não quero abandonar tudo que a meus poucos 17 anos me ensinaram.

Não importa qual reflexo eu verei no espelho daqui a 10 anos. Quero amanhã, preservar meus valores e conceitos, minhas verdades e sonhos (mesmo não realizados). Quero sorrir por ter vivido. Não quero ter medo de soprar as velinhas e fazer mais um ano de vida. Quero me orgulhar de cada ano de vida e que meu amadurecimento não me endureça, apenas me ensine a viver melhor, a ser melhor, melhor para mim, para quem eu amo.

Não quero deixar minhas músicas de velho, nem minhas músicas de criança. Quero levantar da cama e independente do estilo de roupa que eu use, quero me sentir viva por dentro, feliz com as atitudes que tomo. Gosto de olhar para trás e sentir falta do passado, mas não quero nunca que meu passado seja melhor que o meu presente, pois eu sei, e sempre saberei que o poder de mudar tudo sempre estará nas minhas mãos. Que eu olhe no espelho daqui a 10 anos e veja a melhor parte de mim.. 

Ouvindo: Sálvame - RBD

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Eu e São Paulo.



Estava lembrando da primeira vez que fui a São Paulo. Tinha 14 anos e uma visão de mundo bem diferente da que eu tenho atualmente. Fui viajar pela primeira vez "sozinha" para um lugar que eu não conhecia. Cheguei em SP como se fosse criança pela primeira vez em um parque de diversão. Foi uma sensação gostosa, de liberdade, de pela primeira vez poder fazer algo assim, algo que eu queria muito. Fui uma pessoa e voltei outra.

Da segunda vez a mesma coisa, da terceira idem.. E assim foi. Todas as vezes que eu vou para São Paulo sinto a mesma coisa quando chego e a mesma dor quando vou embora, como se eu deixasse um pedaço de mim, esquecesse lá o coração e voltasse metade. E da primeira vez para cá já são quase 3 anos. A diferença é que na primeira vez eu fui como "marinheira de primeira viagem", mais perdida que cego em tiroteio (me senti um velha usando essa expressão agora), e com o passar desses anos fui aprendendo como funcionava as coisas e a viagem virou rotina. Mas mesmo assim, continua me encantando! Aprendi que nessas 6h de RJ-SP é melhor dormir de pernas cruzadas e com a cortina fechada, aprendi a levar sacolinha de lixo, a almoçar sempre na parada (por motivos de: comida gostosa), aprendi como funciona cada ala das rodoviárias, o metrô e as lojinhas de conveniências que encontro no caminho, descobri aquela lanchonete na rodoviária que tem o melhor joelho de frango do planeta, aprendi a nunca deixar para comprar água na rodoviária (os preços são absurdos), aprendi a passar o tempo, a levar mais de um livro na bolsa e a economizar a bateria do celular. Fui aprendendo, me adaptando, fui descobrindo um amor, amor grande por São Paulo.

O mais legal, é o amadurecimento que eu adquiri com isso tudo, os lugares incríveis que eu conheci. O parque que me lembra das minhas raízes, a Avenida que lembra de sonhar, o céu que me lembra de quem eu amo, as ruas que fazem ter certeza que a nossa história se faz andando. Um passo de cada vez, SP foi me cativando, me mostrando um milhão de coisas e sentimentos. Foi quando decidi que estava na hora de tornar esse nosso relacionamento sério, e resolvi assumir. Decidi que ia chama-lo de lar, que ia construir minha história em meio aos seus prédios. Fazer os meus rabiscos coloridos em cima dos seus cinzas.

E agora estamos aqui, a 6 meses de mudar meu endereço, número de telefone e identidade. Mudar também a rotina, os hábitos e até o guarda roupa (adeus shortinhos e olá frio paulistano). Como se fosse um presente que está lá me esperando, com o bilhete de "bem vinda" pronto para ser aberto e descoberto. Hoje me sinto segura disso tudo e quando eu lembro da primeira vez que estive por lá, me faz ter mais certeza ainda. Não sei como vou me sentir quando tudo isso virar uma rotina longaaaa e quando essa rotina de hoje, aqui no RJ, virar apenas um doce passado. Mas de verdade, isso não me preocupa agora. Cansei de pensar no que deixo e comecei a pensar no que pode e vai vir. Torna as coisas mais fáceis. 

São Paulo é terra de todo mundo, acolhe gente do mundo inteiro todos os dias, realiza sonhos de todos os tamanhos, o parque de diversões de gente grande. Eu já comprei meu bilhete, logo as malas estarão prontas e vai começar a "brincadeira". Até daqui a pouco!


terça-feira, 25 de junho de 2013

Tudo igual, de um jeito diferente...

 
Fase de descobertas, principalmente de si próprio. Andei pensando muito esses dias, e em meio aos fatos, crio teorias. Sei lá, acho que é só uma forma que eu encontro de tentar fazer as coisas terem algum sentido, pelo menos dentro da minha cabeça. Ai comecei a observar crianças, bebês mesmo, e por instantes me senti como eles. Não em tamanho, não em mentalidade, mas na arte da descoberta, do crescimento.

Me sinto como uma criança aprendendo a andar. A cada dia eu levantando um pouco, aprendendo a me equilibrar e a manter o peso (físico e mental) sobre as minhas pernas. Vou me esticando, levantando a cabeça como um gigante acordando. Abrindo os braços, procurando equilibrio. No inicio confesso que preciso de ajuda, alguém que te de a mão e vá na frente mostrando como se anda, ou até falando: "Vem até a mamãe", também vale. Estou começando a andar de novo. Tem momentos de transições na nossa vida que temos que aprender tudo que já aprendemos antes de maneira diferente. Hoje, eu aprendo a andar de maneira subjetiva, tenho que andar para os meus desafios, para o mundo, para as responsabilidades, para a vida em si.

Me sinto como uma criança aprendendo a falar. Como se as palavras que saíram da minha boca até então foram de alguém que eu desconheço. Estou aprendo a falar, e a principalmente pensar antes de tal ato. Que isso em si que é o mais difícil. Saber a hora certa de falar cada coisa. Com o passar do tempo você vai modificando o seu vocabulário, enriquecendo seus pensamentos, corrigindo suas imperfeições linguísticas e até, vejam você, sua própria voz acaba mudando. Começando soltando breves rugidos, em seguida, pronunciamos silabas soltas, até formar palavras cortadas.. O processo é árduo, é preciso que repitam as palavras o tempo todo. A vida segue essa sequência. Você vai reaprendendo. Como se fosse matéria da escola, tudo começa com o dois mais dois e quando você vai ver , a matemática se tornou uma bola de neve, um bicho de sete cabeças e você tem que modificar seu conceito de matemática. A base é a mesma, a a vida vai ficando tão gigante que perdemos a noção de onde podemos chegar...

Me sinto como uma criança, como um bebê que acabou de nascer. Acabei de abri os olhos e só enxergo gente estranha, lugares estranhos.. Por que me tiraram de lá? Por que eu tenho que ir para esse mundo feio? Nascendo de novo. Mesmo processo. Me sinto tão pequeno e indefeso quanto naquela época. A diferença é que a agora eu não tenho mais todo o tempo do mundo, para aprender a falar, andar, crescer com paciência e com colo. Agora é assim, na marra. Ou vai, ou foi! Vai aprender na dura. VIVENDO! Por que agora você nasceu, nasceu pro mundo de gente grande e aqui, você aprende quebrando a cara.

Bem vinda, pequena criança!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Relato: Protesto no Rio de Janeiro - 20/06/2013

 

Quinta feira, 20 de Junho de 2013. Um dia no qual jamais irei esquecer. Mais um dia de protestos na cidade do Rio de Janeiro e eu - cansada de protestar pelo computador - dei a cara a tapa e fui para as ruas protestar e lutar pelo país que um dia eu tenho certeza que verei. Foi a primeira vez que sai em um protesto e resolvi compartilhar aqui o relato desse dia.

Marquei com um grupo de amigos na estação aqui da cidade (Nova Iguaçu). Logo que chegamos já vimos diversos cartazes nas mochilas e gente com blusa do Brasil. Juntamos nossa galera e assim que entramos no trem percebemos que quase o vagão todo era de manifestantes. Com o passar das estações a galera foi entrando mais e mais até que o vagão lotou de jovens manifestantes. Começamos a cantar e chamar o povo a cada parada do trem. A galera se dividiu, no vagão mesmo, para pintar o rosto de verde e amarelo, distribuir apitos, nariz de palhaços e fazer cartazes. Muitas vaias, obviamente, quando passamos em frente ao Maracaña e nos deparamos com uma quantidade absurda de PM's. Nesse momento já tinha valido a pena sair de casa, nunca na minha vida esperei ver tantos jovens querendo mudar o Brasil, mas a minha surpresa ainda seria maior.

Quando saltamos na Central era por volta de 15h45 e a massa saiu do trem, cantando o hino nacional e convocando a galera para nos acompanhar. Uma pequena reunião e agrupamento rolou na saída da central. As pessoas nos ônibus aplaudindo, um senhor de idade, com a cara pintada e um cartaz, chegou perto da gente e disse que era isso mesmo, que íamos mudar o Brasil e que ele era jovem também. A PM apenas avistou de longe e seguimos nosso caminho para a Candelária.

No caminho nos juntamos com um outro grupo e fomos pacificamente cantando pelas ruas. O povo no trânsito respeitando o máximo os manifestos e os guardas de trânsito nos ajudando também. O legais é a cara das pessoas nos prédios e portarias nos olhando, aquele sorriso no rosto e a expressão de: CARACA, É ISSO MESMO QUE EU TÔ VENDO? Pois é amigo, é isso mesmo, e é só o começo. Vi gente de tudo que era idade, desde criança de 14 anos até senhoras de 65. Mães com suas filhas, gente que saiu do trabalho e foi de uniforme mesmo pro protesto, senhores de idade, casais, professores. Vi de tudo, e fiquei feliz a beça por essa diversidade tão grande de gente na mesma luta.


Quando encontramos o resto da concentração do movimento na Presidente Vargas na altura da Candelária, o carro de som já dava as coordenadas no manifestos e ficou CLARÍSSIMO, pedido e repetido: SEM VIOLÊNCIA! Cantamos e seguimos em direção a prefeitura. Quase 2 km de Presidente Vargas na nossa frente e para nós, era pouco. Os morados dos prédios da avenida jogaram papel branco pela janela, em apoio aos manifestantes. Foi uma cena linda, não conseguiria imaginas caso alguém me contasse. De arrepiar!

As críticas dos manifestantes através dos cartazes são cada vez melhores, e não só os cartazes, eu vi nesse protesto, cavalo de tróia para a Dilma, boneco de Judas do Marco Feliciano, blusas pintadas, entre outros.. Vi manifestantes querendo aparecer, subindo em cima de pontos de ônibus e imediatamente a massa começou a gritar para eles descerem e pediram sem vandalismo. E repudiou as bandeiras partidárias e pregou que o movimento é do BRASIL. Vi pichações nos pontos de ônibus de "Fora Dilma". Até então, coisas normais de manifestos.

Nunca cantei tanto o hino nacional na minha vida, nunca me senti tão patriota, não tive tanto orgulho de vestir essa camisa e lutar pelo meu país. Hoje foi um dia histórico não só para o Brasil, mas para minha consciência como cidadã e eleitora também. Me arrepiei inúmeras vezes. Você olha panoramicamente a sua volta e só vê pessoas, cantando, protestando. Você não faz ideia da quantidade de pessoas que estão ali, sabe apenas que é um grão de areia no meu daquele areal inteiro cobrindo a avenida. E ser um grão de areia faz toda diferença nessa história.

O protesto seguiu pacífico até a altura da Central do Brasil, e logo depois, ouvimos boatos de tumulto e PUTZ! Ouvimos a primeira bomba, sei lá do que, sei lá por que. A galera começou a correr e nessa MUITA gente foi embora. Eu e meu grupo pulamos a grade que separava a rua da calçada e a galera do manifesto começou a pedir o povo para sentar-se, para a policia entender qual é a nossa intenção: SEM VIOLÊNCIA! Fizemos isso, começando a cantar e logo tudo se estabilizou. Continuamos seguindo, e o apoio nas ruas era notório. A galera piscava as luzes nos prédios, colocaram pano branco na galera, cartazes para fora e bandeiras do Brasil. Coisa linda de ser ver. Até que chegamos próximo a prefeitura.


Sabíamos que a intenção da polícia era nos manter afastados da prefeitura, afinal, nada pode acontecer com os santos e bons governantes, com toda ironia possível na frase. Quando a galera começou a chegar, teve retenção por parte da polícia. Começamos a ouvir bombas de novo. (??) Continuamos a diante. Nisso o número de gente ainda era MUITO grande, mas bem menor do que no inicio. Passávamos por debaixo das pontos da Avenida e elas estavam cheios de repórteres e jornalistas, que no exercício de sua profissão, não poderiam estar gritando com cartazes ao nosso lado, mas estavam gritando lá de cima, com suas câmeras fotográficas na mão. Deu um orgulho tão grande no meu peito! A luta é de todos nós! Finalmente entendemos isso. Só falta os policiais entenderem isso, e por falar neles.. Já sabíamos que estava rolando um pequeno confronto na frente. Os manifestante protestaram na frente da policia, coisas que eles não gostaram, e ai começaram a atacar. Nesse momento vou contar o QUANTO fui sortuda. Por sorte, um pouco antes de ficar bem louco o manifesto, sentamos no chão (a pedido do movimento) e eu mandei mensagem avisando: "Manhê, não acredite na mídia. Estou bem! hehehe"  guardei na minha mochila tudo que estava nas nossas mãos (cartazes, celular), estava com peça de roupa na mochila que foi útil para proteger o rosto, amarrei o cabelo e continuamos cantando, quando 5 minutos depois... GÁS LACRIMOGÊNIO! Tumulto, correria, vi três ambulâncias passando. Começamos a caminhar em direção contrária a que estávamos, seguindo o fluxo que fugia do gás, mas logo ele nos alcançou. Eu não estava de máscara, não tinha vinagre e nem sabia como proceder em caso desses. Estava de nariz de palhaço, que me ajudou bastante, e para minha sorte, havia passado bastante perfume em casa (também não sei pra quê) e quando o gás me atingiu, comecei a cheirar o perfume da blusa. Foi a minha salvação. Meus olhos queimara, minha garganta também, o cheiro é horrível. Covardia pura por parte da polícia. E continuamos gritando "SEM VIOLÊNCIA", caramba, é difícil nos ouvir?

Ficamos juntos e conseguimos nos afastar, andamos, andamos.. E paramos em ato solene, todos cantando o hino nacional em coro GIGANTE enquanto a porrada comia lá na frente. Vimos, um pouco de longe, quando o carro do SBT RIO começou a pegar fogo, não fazíamos ideia do que estava acontecendo lá na frente, volta e meia ouvíamos uma informação torta de alguém que recebeu um telefonema de amigo ou família que ou estava mais na frente ou estava vendo tv. Parecia que tinha algo na avenida que impedia sinal de telefone e internet, teoria da conspiração? Talvez! Mas eu não vi nem uma, nem dua pessoas reclamando disso, eu vi VÁRIAS! Meu sinal ficou 90% do tempo que fiquei no protesto fora do ar. Não dava para termos qualquer notícia sobre o que estava rolando através da mídia. Decidimos ir embora, cansados, chateados com a violência, mas felizes com o dever cumprido. Nesse momento não sentia mais minhas pernas, muito cansadas! Estou escrevendo isso caindo em cima do notebook de tanto sono, mas se deixar para amanhã o relato perde a emoção.

Quando chegamos na central o clima era deprimente. Vi muitas crianças de rua, CRIANÇAS MESMO, tipo 5 anos! Lá expostas a polícia e ao descaso público. Vi uma mulher atingida com bala de borracha no peito, ela também estava com a cabeça ensanguentada, não sei ao certo o que houve com ela, mas estou preocupada e com a imagem dela até agora na minha cabeça. Enquanto entrávamos na central, víamos muita gente saindo, chegando ainda pro movimento. E isso já era 20:30! Na fila pro bilhete, mais cantos de xingamento ao Sérgio Cabral, que por falar nele, foi o mais xingado sem sombras de dúvidas no protesto. E ele sabe muito bem o porque de todas esses xingamentos. Na  volta para casa, tudo tranquilo. Sem violência, muita cooperação da galera, viemos conversando com outros passageiros, dividindo as experiências vividas no protesto.

Gente, do nosso lado (manifestantes) não vi violência. Vi apenas manifestações! Só que o povo não é bobo, não vai apanhar calado, partiu para cima da polícia também. Não sou a favor da depredação do patrimônio público, nem de vandalismo, mas tem certos casos que precisam acontecer para que os governantes tomem uma atitude. Cansamos de sermos pacíficos e amáveis. Já demos tempo demais para eles roubarem, agora chega! Queremos resgatar o nosso Brasil. Queremos lutar pelos nossos direitos e exigir qualidade de vida e desenvolvimento humano. Vamos para ruas e não vamos mais nos calar!

Quando cheguei em casa e me adentrei das noticias do dia, vi que morreu um manifestante em Ribeirão Preto - SP, e depois de um dia lindo, meu peito se encheu de tristeza. Perdemos um soldado, um guerreiro nessa luta que deveria ser o básico presente em nossas vidas. Uma pessoa morreu tentando melhorar o Brasil, tentando fazer daqui um lugar digno de verdade para se viver, e não apenas ser mais um cartão postal para gringo. Você, seja lá quem foi, entrou para história! Você morreu, mas vamos continuar na luta, por você, por nós, pelo futuro, pelas crianças, pelo Brasil.

Acabou o sonho, políticos corruptos! O Brasil acordou!

FOTOS:




domingo, 16 de junho de 2013

Quando foi que mudei tanto?


Aquele lugar, aquela rua, aquela mesma casa e as mesmas companhias. Tudo era sempre igual, e prazeroso como sempre foi. Mas nada daquela vez estava habitual. Claro que o problema era, como sempre, eu. Eu e minha mania estranha de sentir um peso exagerado sobre as costas, de sentir a incapacidade de mudar o mundo e a dor de conviver com as coisas dessa forma. E o mundo continuava igual, girando, andando, seguindo seu fluxo como sempre fez. E eu estava parada. Sem conseguir conter meu desejo de que as coisas se ajeitassem como mágica.

Olhava aquele lugar e vi todos os anos da minha passando como flash na minha memória. Tantos bons momentos, tantas histórias.. Quando foi que eu mudei tanto? Era como se todas essas lembranças pertencesse a uma outra criança, como se fosse um filme que assisti em uma noite qualquer de verão, menos a minha história. Quando eu olho no espelho não reconheço mais o mesmo reflexo de uns 4 anos atrás. E isso dói. Machuca saber que não foi apenas a cor das paredes que mudou por aqui, a minha casca também é outra. As mesmas pessoas, o mesmo papo, as mesmas reclamações e o mesmos problemas. Por que eu não segui o ritmo de todos e permaneci igual? Não consegui adaptar meu crescimento com o cotidiano, segui outro rumo, fiz outras escolhas.. Mas quando foi o momento que eu troquei de estrada? Quando foi que eu mudei?

Olho para minhas amigas e tenho certeza que elas vão continuar sendo melhores amigas pro resto da vida, mas eu, acho que vou ser aquela velha amiga, que quando vem passar as férias, acabamos em um restaurante relembrando as descobertas e artes de crianças. Elas continuam as mesmas, amigas como sempre e eu, bem, e eu mudei. É engraçado o quanto que a gente se perde e se acha na vida ao longo do tempo, como se fosse um labirinto, no qual temos que voltar e ir de novo toda vez que caminhamos por um beco sem saída. Eu vou e volto inúmeras vezes. Mas a cada ida e a cada volta, sou uma pessoa diferente. Não digo em essência, digo sei lá em que, mas diferente. Me olho no espelho diariamente, vejo meus olhos e os pergunto no que mudei tanto? Por que me sinto tão diferente? Afinal, certas coisas em mim permanecem as mesmas, continuo gostando de verde, de ficar em casa ao invés de sair, de ver filmes românticos e comer chocolate. Em qual canto da minha alma a mudança aconteceu? Vejo ela tão frequente em meus dias, nas minhas atitudes, vejo outra pessoa em mim.  

Às vezes acho que esse cotidiano, essas ruas e essa cidade ficaram pequenos demais para mim, outras vezes tenho certeza disso. Mas ai eu penso, será que se eu for para outro lugar, daqui alguns anos, eu não vou me sentir assim de novo? Não sei, e nem tenho como saber agora. Só sei que no momento, preciso tentar, preciso descobrir. Preciso me encontrar sozinha em um lugar desconhecido, ver a vida de gente grande pairar sobre minha realidade para entender quem realmente eu sou, o que eu realmente quero. Preciso sentir e entender essa mudança sendo compreendida. Será que você me entende?

Sei que sou complexa demais em meus raciocínios, mas não culpo se ninguém entender, nem eu entendo às vezes. Só sei que tenho milhões de dúvidas, milhões de medos, milhões de vontades. Vontade de mudar as coisas, mudar a realidade. Sei que essa mudança que grita dentro de mim é quase isso, um cochicho no pé do ouvido me dizendo para fazer diferente. E então vou, fui!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Bem vinda ao mundo de gente grande.

Você não queria tanto crescer? Pois então! Aqui está sua vida de adulta! Em cima da mesa está as contas que devem ser pagas, luz e água vencem no início do mês, de resto sua internet, telefone, tv por assinatura e tudo mais que você quiser vencem dia 20. E sinto lhe informar que você terá que pagar em dia, sem atrasos e sem ligar para a mamãe. Se vira, vai trabalhar. E se o trabalho não for suficiente? Hora de cortar gastos! Faça uma compra por mês, olha só, é só você que quase não fica em casa, compra uns congelados, algo que mate sua fome, miojo que você sempre adorou. Por favor, não fique, todas as noites, nostálgicas, querendo largar tudo e voltar pro colo da mamãe. Saudade vai bater sempre, essa não é a primeira noite que as coisas ficam difíceis e você chora e nem vai ser a última que você pensa em desistir. Mas não vai, aguenta firme! 

Ser adulto é esse negócio mesmo, não sei como um dia você acho isso legal, você já pensou no quanto era idiota? Tá bem, isso não vem ao caso. O que importa é o que grande dia chegou, você é adulta e agora vai ter que agir como um. Você vai dormir pouco, trabalhar muito e estudar mais ainda. Vai ter amigos falsos, conhecer pessoas invejosas e trapaceiras, vai errar uma centena de vezes e vão rir de você outras mil. Mas, você vai passar por tudo isso, você é forte garota, lembra?

Outra coisa muito importante, não deixa a casa - nem a cabeça - bagunçada. Sabe aquele loucinha que está na pia agora e você disse: "depois eu lavo?" Lave agora, imediatamente! Por mais que dê preguiça! Deixe sua casa arrumada, para em momentos como esse, pelo menos algo estar em ordem perto de você. Não pense muito no que você deixou para trás, tudo isso você já viveu, já conhece essa história, e por maior que seja sua vontade de resgatar isso, sinto muito, mas é em vão. Pense no que pode vir, no que você vai conquistar, pense nos frutos do seus empenho e continue sonhando exatamente como você sonhava quando era criança.

Nunca tire seus pés do chão. Não faça mal a ninguém e nem deixe essa correria de cidade grande mexer com a sua cabeça. Continue simples, querida e companheira. Não perca seus valores, não esqueça sua família. Durma direito. Vá sempre ao médico, cuide de você, agora é assim.. Você tem que fazer tudo por você! Lave suas roupas e separe um dinheiro - por menor que seja - todo mês. A princípio, evite futilidades, desperdício. Guarde para amanhã ter. 

Tome cuidado com o mundo. E com quem vive nele. Promete para mim que não vai mais chorar por isso. Em que ano estamos? Então! O tempo tá passando. Passe junto com ele. Respeite seus ciclos, ame seu amadurecimento. Brote, veja suas flores como o passar das estações. Quando pensar em desistir. Lembre-se daquela criança que sonhava em ser adulta. 

E ah, não se esqueça que as contas estão em cima da mesa...