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sexta-feira, 5 de julho de 2013

Se essa rua fosse minha...


A rua ainda é a mesma. Mesma de sempre. Essa rua já me viu chorar e sorrir, me viu triste e feliz, perdida e sonhadora. Essa rua é quase uma mãe. Já passei com tantas dúvidas por ela, mas ela sempre me acolheu com serenidade, segurança. Essa rua é como se fosse uma extensão da minha casa. Tenho mais histórias com ela do que com muita gente por aí.. Ela me viu crescer e eu a vi mudar, vi suas paredes sendo coloridas e recoloridas dezenas de vezes, vi suas árvores morrendo, sumindo, suas flores murchando, vi seu asfalto ficar cansado, seus quebra molas racharem.. E ela também me acompanhou mudar. Passei da época rocker, gordinha, apaixonada, preocupada, depressiva, desacreditava, sonhando, sonhando, realizando. Ahhh, se essa rua, se essa rua fosse minha, eu mandava, eu mandava emoldurar, para guardar todos esses anos em caixinha de vidro, colada na parede da sala, para sempre eu lembrar. 

Conheço essa rua de cabo a rabo, cada cantinho e cada lojinha. Mas nosso caso está chegando ao fim. E como diz o ditado, tudo dura o tempo necessário para ser inesquecível. Daqui a um tempo, vou começar a chamar outra rua de casa, vou ver a mudança de um outro local. Mas ela sempre será minha, não importa aonde eu esteja. E não pensem que é draminha, ok? É apenas o fato de adaptação a uma nova realidade, a minha rua é apenas figurativa. O que é real, é que vou sentir falta de conhecer tão bem os lugares por onde passo, essa certeza de que "a rua é minha" vai demorar tempo para conquistar.

Crie laços, faça história, não importa se é com uma rua, ou com alguém. Ter referências é indispensável para a vida. Tenha ponto de encontro. Li uma frase, não lembro onde, certa vez que dizia mais ou menos: Não importa aonde nós vamos, temos sempre que ter um lugar para onde voltar. É como se assim, qualquer lugar do mundo fosse a nossa casa, porque temos a certeza de que temos um ponto de partida, que vai estar sempre lá, de braços abertos. Como a minha rua. Que abraça todo mundo diariamente, milhares de carros circulam e circulam por aqui, mas nenhum deles nunca, vai ser tão bem cuidado por essa rua quando eu. E nem ela, ela nunca vai ser tão importante para alguém. 

Tem certos tipos de laços que são mais fortes que nó.

sábado, 29 de junho de 2013

Tic-Tac e o tempo vai passando..


Tic-Tac, Tic-Tac.. Vivemos sob a pressão desse barulho nas nossas cabeças. A princípio, isso não preocupa a ninguém, muitas vezes até - em certos momentos da vida - desejamos acelerar esse tic-tac, fazendo o tempo passar bem mais depressa. Mas a questão em si não é o tempo, pois seu mecanismo é inalterado, mas sim a forma como lidamos com ele.

Sinceramente eu não percebo o tempo passar, apenas vou me moldando e quando vejo, ele passou. Por exemplo, ainda me vejo brincando de pique na rua como se fosse ontem. Muita coisa mudou, o tempo passou e passou muito. Mas eu nem percebi. Às vezes vivemos em uma rotina tão constante, que achamos que ela nunca vai ter fim, vemos nossa futura realidade como algo distanteeeeeee e demorado. Mas não é, está logo ali na sua frente. Não é só eu que ando notando que os anos tem passado mais rápido do que o normal, acho que o mundo duplicou seus afazeres e esquecemos de pedir pro tempo duplicar as horas do dia. E ai o tempo vai passando, vamos deixando coisas para amanhã, vivendo sem perceber ele passando.. Mas ele passa. Ele é sorrateiro, modifica tudo no maior silêncio. 

A vida é o que acontece enquanto esperamos o tempo passar. E quando nos damos conta tudo mudou tanto que nem nos reconhecemos mais. Lembro de quando eu era pré adolescente, jurava que aquela fase nunca ia passar, que eu nunca ia ser adolescente de fato. Chegou, e agora quando eu comecei a ter essa sensação de novo, resolvi escrever. Tudo uma hora chega ao fim, ciclos de fecham para outros poderem começar. O que parece ser eterno, pode durar apenas um instante. Por isso é tão importante aproveitar cada segundo, porque por mais que você pense que vai durar muito tempo, não dura nada. Cada instante é diferente do outro, você muda o tempo todo, como espera que os dias sejam iguais? 

Amanhã, você vai estar em um outra fase da sua vida, e vai olhar para hoje e lembrar que achava que ia ser eterno, vai lembrar com saudades, vai apertar o coração. Porque somos assim, não conseguimos dar valor quando estamos vivendo, damos valor apenas quando termina. Ai que percebemos o quanto fomos felizes, ou o quanto certa pessoa nos fez bem. Assim a vida vai acontecendo, sem você perceber. Por isso os mais velhos têm tantas histórias para contar, tanta alegria em contar sua vida. Eles sabem que foram felizes, apesar de tudo, independente de tudo. Chega um momento na vida que só as coisas boas importam. E quero ter prazer em lembrar das minhas.

 Amanhã tudo vai mudar, como ontem mudou. Então siga aquele antigo lema: "CARPE DIEM" e seja feliz!


domingo, 9 de junho de 2013

Lembrei de você, lembrei de nós!!


Tem pessoas que ficam na nossa vida e simplesmente não conseguimos deixar para lá, apenas esquecer. E você é uma delas. Você foi, na sua maneira, a pessoa mais amável e sincera que eu conheci e entre essas e outras que tudo que vivemos é tão significativo para mim. 

Lembro do meu olhar perdido no nosso primeiro encontro, lembro do quanto tive medo do que poderia sentir por você, e - pela primeira vez - tive medo de não saber como proceder. Você apareceu, com esse sorriso de diamante e quebrou tudo aquilo que eu um dia chamei de orgulho. Pouco a pouco, com gestos que de inicio não faziam diferença nenhuma, você conquistou um espaço único. Você foi diferente de todos os outros, você me ligou e se preocupou comigo, admitiu o quanto gostava de mim e me fez sentir especial.

Eu era uma menina ainda, descobrindo o que era sentir algo mais forte que fome. E mesmo assim, lembro do seu olhar, do jeito que você me olhava depois de um beijo, sua respiração. E admito, sinto falta disso tudo e ainda mais do seu abraço, que me fazia sentir protegida de todo mal. Ahh, você!! Você foi o primeiro que segurou a minha mão e quis me mostrar o mundo, com isso teve meu coração, e ainda tem. Mas essa história não continuou e o tal do "que poderia ter sido" ronda meus dias e pensamentos.

Hoje, não sei mais sobre a sua vida. Mas se estiver com alguém, eu espero que ela segure sua mão, como você segurou a minha, que te abrace e te salve do mundo, que converse com você sobre motos, trabalho e que assista futebol do seu lado, espero que ela olhe para você da mesma forma que eu vejo, que cuide da mesma forma que eu gostaria de cuidar. Espero que viaje com você e que te faça feliz. Quero que você seja muito feliz.

Eu, continuo minha vidinha, mas nunca duvide que você foi o amor que eu mais gostei de sentir, o qual tive mais medo e mais segurança. Opostos. Eu e você! Lembrei disso tudo, lembrei de você e lembrei ainda de quando eu fui a sua pequena.

domingo, 21 de abril de 2013

Os sonhos que a gente faz, refaz e faz de novo..

Já quis ser tanta coisa nessa minha vidinha, já sonhei com tanta coisa, já fiz e desfiz tantos planos.. 

Quando eu tinha 6 anos queria ser dançarina, até que eu consegui por um tempo. Foi o primeiro plano que eu fiz e que funcionou de verdade. Mas não durou muito tempo. Logo minha vida de dançarina foi encerrada, meu ballet deixado de lado e minhas sapatilhas aposentadas. Pouco anos depois quis ser atriz, entrei em curso de teatro, agência e vi que não era bem isso que eu queria... 

Durante a minha infância fui de tudo. Cada brincadeira eu me transformava em algo incrível. Em umas fui heroína, outras brinquei de ser adolescente, já fui professora, mãe, cozinheira, cabeleleira e afins. Aos meus 9 anos comecei a trabalhar de verdade, mesmo que fosse uma grande brincadeira para mim, comecei fazendo bijouterias para vender, lembro que fazia uma mais linda que a outra, caprichava em cada detalhe. Pouco tempo depois abri um salão de beleza no meu quarto, peguei todos os produtos de beleza da minha mãe e abri um estoque, com tabela de preço e tudo na porta. (ela que não gostou muito da ideia), mas como dizem "O que vale é a intenção".

Nos meus 11 anos, voltei a praticar jazz e lembro que foi nessa época que minha primeira aspiração de futuro veio firme na minha cabeça "ESTABILIDADE". No caminho que eu fazia, toda segunda, quarta e sexta pro jazz, tinha um apartamento amarelinho, tinha uma sacada com porta de vidro e eu sempre que passava por ali, desejava morar em um lugar assim, desejava morar ali, de qualquer jeito. Me imaginava acordando de manhã e abrindo aquela sacada. Tempos depois descobri que o meu encanto não era necessariamente com o apartamento e sim com a estabilidade de ter o meu canto, com a minha cara. O tempo foi passando e fui sonhando sonhos maiores. 
No fim do ensino fundamental quis fazer administração e ter algum negócio meu (claro, que esse pensamento foi muito influenciado pelo meu Pai), mas ainda bem que eu não passei na prova e não fiz a maior burrada da minha vida. Fui crescendo e conhecendo mais sobre mim, meus gostos, minha personalidade e foi mais fácil descobrir o que eu realmente queria. 
No início da adolescencia, quando eu finalmente sai da toca e fui conhecendo a cidade maravilhosa - que eu vivi por anos e raramente andava por ela - fui me apaixonando pelos prédios e pelas formas que eles tinham. Decidi que queria fazer arquitetura. Depois decidi fazer Engenharia, só para ganhar muito dinheiro. E claro, que nada disso foi para frente. 

Depois de muita análise, teste vocacionais, consultas na internet.. Em uma conversa paralela, como obra do acaso, surgiu as palavras: "Publicidade e Propaganda". Me encantei. Enfim, estava decidido! Mas também sou encantada pelo Jornalismo, o jogo das palavras. E também amo um montão de outras coisas.. E foi ai que eu percebi que eu sou tudo isso. Todos os sonhos que eu sonhei, todos os desejos que eu quis. Tudo sempre foi pensando no melhor para mim, na minha realização própria. Pode ser que amanhã tudo isso mude de novo. Mas vou encontrando soluções, métodos de me achar no meio da minha confusão. 

Afinal, ninguém sabe ao certo no que é bom, até provar para si mesmo que é bom. Confuso né? Sei lá, acho que somos bons em um monte de coisas e isso tudo que confunde nossa mente. Escolher algo para fazer o resto da sua vida é responsabilidade demais para ser tomada  tão facilmente. Hoje, estou mais segura do que eu quero e do que eu pretendo. As opções são menores, os gostos mais seletos. Porém, certeza é algo difícil de ter, na vida toda. 
Pretendo amar o que eu vou fazer, pretendo fazer o melhor possível. Pois os sonhos, a gente faz, refaz e faz de novo.. Quantas vezes for preciso. Pra ser feliz. vale qualquer parada!


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Depois.

 
Quando eu entrei naquele ônibus voltando não imaginava que seria a viagem mais longa da minha vida - tudo bem que em padrões normais, 6 horas não são nada - Mas para mim, daquela vez, durou uma vida. Da janela do ônibus olhava o mundo a minha volta e cada momento com você vinha em meu pensamento. Todas as palavras e descobertas, até as brigas e as reconciliações. Eu estava voltando para "casa", depois de tanto tempo longe, depois daquele nosso "adeus" mal dado.. Lá estava eu, chegando em casa como visita. Como seria sua reação?
 
Logo que cheguei soube que você já estava sabendo da minha volta. E logo, seria inevitável o nosso reencontro. A noite, fiz uma reunião para alguns amigos e para minha surpresa, você apareceu na porta da sala, com sua blusa xadrez aberta e sua calça jeans surrada, você tinha deixado a barba crescer - do jeito que eu gosto - e seus olhos ainda me olhavam do mesmo jeito. Eu sorri, você sorriu. Que saudade de nós! 

Enfim pudemos conversar sem o peso da decisão, sem o medo do que poderia ser, sem o medo do erro. Lá estávamos nós, maduros, crescidos, com as decisões tomadas, falando sobre um passado que nem é tão passado assim, como se ele já estivesse superado. Bem, a quem queríamos enganar?

Na hora que você estava indo embora, eu cansei dessa brincadeira de ser adulta e te pedi: Por favor, FICA! Você também queria pedir isso. Você ficou. E ficamos ali, deitados no sofá, durante a noite toda, sem palavras, mergulhados no silêncio profundo, aonde até uma respiração é barulhenta demais. Fiquei ali, sentindo o cheiro daquele seu perfume barato que eu pedia para você mudar, hoje eu amo. Você fazia carinho no meu cabelo e seu peito nunca foi tão confortável. Pode pedir a eternidade para aquele momento?
 
Caímos no sono. E quando o sol nos acordou pela manhã, estava na hora do encanto acabar. Esse era o nosso "adeus" bem dado. Sem mágoas, sem dor. Só saudade! No seu olhar eu vi o quanto você me amava e também o quanto tinha orgulho de mim. Tentei demonstrar o mesmo com o meu. Mas naquele mar de silêncio em que estávamos, será que você entendeu? Você levantou, me deu um beijo na testa e disse apenas. "Boa sorte, pequena.", mas eu não podia deixar aquele nosso momento passar e, deixando uma lágrima cair te disse "Eu te amo". Você me olhou. Tudo era claro agora.
 
A vida nos separou. Ele foi embora. O sol junto com o brilho trouxe a escuridão para dentro de mim. Deixar aquele sofá, aquele cheiro e aquelas lembranças ali naquela noite, era a minha missão. Finalmente consegui levantar. Arrumei o resto das minhas coisas. O ônibus já ia sair. 

E aqui estou eu, na janela do ônibus. Voltando para o local aonde hoje eu chamo de "casa". Escrevendo sob o balanço do ônibus essas linhas de uma história torta. Amores nem sempre duram, às vezes eles são apenas parte do crescimento. Deixar você, deixar esse ciclo para trás, talvez tenha sido a decisão mais difícil que já fiz. Mas é preciso. Daqui a alguns anos você vai mudar sua vida, como eu estou mudando a minha, e eu não vou mais saber qual é a sua cor favorita, nem a banda mais incrível que você acabou de descobrir na internet. Mas sempre que eu ouvir Oasis vou lembrar de você. Como sei, que sempre que você ouvir falar nessa cidade você vai lembrar de mim... Para sempre!
 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Voltando no tempo..


Há muitos anos atrás, quando ainda era uma criança, eu vivi uma situação que me marcou e na qual sempre vou levar comigo. Eu tinha 6 anos e achei um cupom para participar de um seleção de dança, eu sempre sonhei com aquilo, passava todos os meus dias na frente da tv dançando e cantando, e quando vi aquele cupom meus olhos brilharam (lembro como se fosse hoje e o coração aperta só de lembrar). Eu peguei o cupom e fui até o quarto falar com a minha mãe e chegando lá ela me disse - sem muita fé - que era difícil, que eram muitas crianças concorrendo e que ela não queria que eu ficasse triste se não acontecesse. E eu com toda minha maturidade e certeza disse para ela: Eu não vou ficar triste se eu não conseguir, mas eu tenho certeza de que eu vou conseguir. E no final, eu ganhei!

O motivo de eu estar contando isso? Bem, hoje meu dia foi bem deprê (inferno astral + crise existencial + um monte de outras coisas) e eu estava ali estudando pro vestibular, com a cabeça a mil... Quando comecei a chorar, sabe quando você transborda? dá aquela vontade de chutar tudo pro alto e dormir por 7 anos?  Então, foi bem isso. Falei para minha mãe que eu era uma burra e que nunca ia conseguir nada e foi ai que ela olhou para mim e disse: "Lembra quando você tinha 6 anos, do que você falou para mim?" E aquele filme veio na minha cabeça:  "Eu não vou ficar triste se eu não conseguir, mas eu tenho certeza de que eu vou conseguir."

Tenho que deixar registrado uma coisa aqui: Eu sou fã da Jade menor, ela era a pessoa mais segura e confiante que eu já conheci na vida. Engraçado falar isso em 3ª pessoa né? Mas é frustante de fato, porque hoje - por mais que eu tente - a nova realidade das coisas acaba me afastando muitas vezes daquela segurança que eu tinha quando era criança. Mas, ouvir essa frase hoje me fez sentir segura como a tempos eu não sentia. Algo forte pulsou dentro de mim, me dando forças para não desistir dos meus sonhos. Foi como se eu voltasse no passado e aquela criança tivesse olhado nos meus olhos e dito isso.

O que eu concluí disso tudo é que não posso dormir por 7 anos, nem chutar o balde. Tenho que continuar, que não vai ser fácil - e eu estou apenas no início. E aquela criança que sabe muito mais da vida do que eu, me ensinou que não importa as consequências, tenha sempre certeza que, independente do tempo que demore, você acreditar e lutar, uma hora acontece!

No pain, no gain! 

domingo, 31 de março de 2013

As pazes com o passado..



Hoje decidi resolver um problema antigo. Meu passado. A medida que o tempo vai passando e você vai vivendo, na sua linha do tempo acaba ficando pendente sentimentos, palavras e saudades que foram deixados para trás ou adormecidos com a correria do tempo moderno. Mas hoje não, hoje quero resolve-los.

Peguei minha caixa de lembranças, entrei na minha linha do tempo e volte ao passado. Comecei pelo simples, liguei para meu avô e quis para saber o segredo do Papai Noel, como ele conseguiu me enganar por tanto tempo? Depois, liguei para minha vó, queria saber a história dela, como ela chegou até ali, nunca havia parado para ouvi-la. Em seguida liguei pro meu Pai e para minha Mãe, disse a ele que o amava, e tinha muito orgulho de ser filha dele e disse a ela que a amava mais que a mim, que eu sempre serei grata por tudo que ela fez e faz por mim.

Respirei fundo e resolvi partir para um outro problema.. Meus amores. Peguei a bolsa e fui até a casa daquele meu primeiro namorado, disse a ele que ele foi um idiota, que ele perdeu a chance de ficar com uma garota incrível e que o amava. Ele ficou olhando para mim assustado no momento em que eu percebi que sua namorada estava no sofá.. (opsss!). Sai rindo da situação, parei na praça e liguei para um carinha que me deu um fora, quando ele atendeu eu disse: "Olha aqui, só para deixar claro que você não é a última bolacha do pacote e você vai acabar feio, pobre e com uma baranga." Desliguei o telefone e nunca tinha me sentido mais leve..

Fui andando pelas ruas e em cada lugar que eu passava uma forte lembrança vinha na minha cabeça. Um aperto no peito. Não queria mais continuar com aquilo, mas fui em frente. Cada lugar que eu passava fechava os olhos e soltava eu "eu te amo". Eu eu te amo para o meu passado, para aquela lembrança e para a saudade e angustia. Fui seguindo e passei por ruas, estradas, bares e casas. Fui resolvendo cada problema com amor, fui deixando amor no meu passado...

Mas, falta uma coisa para resolver. Tinha que fazer as pazes com o meu passado. Tudo bem que eu posso falar coisas que eu não disse, que o tempo levou e eu esqueci de expressar. Mas apagar tudo o que eu vivi e que não me trás lembranças boas não é possível. Mas é possível encontrar um jeito de viver harmonicamente com elas. Encontrando um equilíbrio e vendo um lado bom em tudo de ruim.

Sentei no meu sofá e peguei fotos antigas. Foi como se eu estivesse conversando comigo mais nova. Disse a mim mesma que muitas das pessoas que me magoaram não tiveram essa real intenção. Que as amizades que me traíram, não foram dignas do tamanho do meu zelo. Disse que eu não estava errada quando não quis ir naquela festa, disse que eu deveria ter brincado mais de bicicleta em vez de ficar vendo tv, me lembrei que aqueles antigos brinquedos ainda estavam no sóton, e que eu não tinha perdido aquele gibi e meu primo havia escondido. Me coloquei no colo e disse que entendia a sua dor, que ela reflete em mim até hoje. Te pedi para não guardar mágoas, aprender a perdoar, a se lembrar que tudo na vida tem um propósito.

Abracei as fotos, abracei a mim. Me senti inteira. Entendi que não posso apagar mudar o que já foi, mas posso evitar que esses sentimentos se repitam. Por isso fiz as pazes com meu passado, fiz as pazes comigo mesmo. Agora sou mais corpo, alma e coração. Aquela EU mais nova, vem feliz andando do meu lado. Sem diferenças, sem dor. Aprendi a admirar meu passado, a ter orgulho do meu presente e me sentir grata pelo futuro.

Fiz um pacto de amor com o meu passado, para ter tranquilidade no futuro...