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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Eu e São Paulo.



Estava lembrando da primeira vez que fui a São Paulo. Tinha 14 anos e uma visão de mundo bem diferente da que eu tenho atualmente. Fui viajar pela primeira vez "sozinha" para um lugar que eu não conhecia. Cheguei em SP como se fosse criança pela primeira vez em um parque de diversão. Foi uma sensação gostosa, de liberdade, de pela primeira vez poder fazer algo assim, algo que eu queria muito. Fui uma pessoa e voltei outra.

Da segunda vez a mesma coisa, da terceira idem.. E assim foi. Todas as vezes que eu vou para São Paulo sinto a mesma coisa quando chego e a mesma dor quando vou embora, como se eu deixasse um pedaço de mim, esquecesse lá o coração e voltasse metade. E da primeira vez para cá já são quase 3 anos. A diferença é que na primeira vez eu fui como "marinheira de primeira viagem", mais perdida que cego em tiroteio (me senti um velha usando essa expressão agora), e com o passar desses anos fui aprendendo como funcionava as coisas e a viagem virou rotina. Mas mesmo assim, continua me encantando! Aprendi que nessas 6h de RJ-SP é melhor dormir de pernas cruzadas e com a cortina fechada, aprendi a levar sacolinha de lixo, a almoçar sempre na parada (por motivos de: comida gostosa), aprendi como funciona cada ala das rodoviárias, o metrô e as lojinhas de conveniências que encontro no caminho, descobri aquela lanchonete na rodoviária que tem o melhor joelho de frango do planeta, aprendi a nunca deixar para comprar água na rodoviária (os preços são absurdos), aprendi a passar o tempo, a levar mais de um livro na bolsa e a economizar a bateria do celular. Fui aprendendo, me adaptando, fui descobrindo um amor, amor grande por São Paulo.

O mais legal, é o amadurecimento que eu adquiri com isso tudo, os lugares incríveis que eu conheci. O parque que me lembra das minhas raízes, a Avenida que lembra de sonhar, o céu que me lembra de quem eu amo, as ruas que fazem ter certeza que a nossa história se faz andando. Um passo de cada vez, SP foi me cativando, me mostrando um milhão de coisas e sentimentos. Foi quando decidi que estava na hora de tornar esse nosso relacionamento sério, e resolvi assumir. Decidi que ia chama-lo de lar, que ia construir minha história em meio aos seus prédios. Fazer os meus rabiscos coloridos em cima dos seus cinzas.

E agora estamos aqui, a 6 meses de mudar meu endereço, número de telefone e identidade. Mudar também a rotina, os hábitos e até o guarda roupa (adeus shortinhos e olá frio paulistano). Como se fosse um presente que está lá me esperando, com o bilhete de "bem vinda" pronto para ser aberto e descoberto. Hoje me sinto segura disso tudo e quando eu lembro da primeira vez que estive por lá, me faz ter mais certeza ainda. Não sei como vou me sentir quando tudo isso virar uma rotina longaaaa e quando essa rotina de hoje, aqui no RJ, virar apenas um doce passado. Mas de verdade, isso não me preocupa agora. Cansei de pensar no que deixo e comecei a pensar no que pode e vai vir. Torna as coisas mais fáceis. 

São Paulo é terra de todo mundo, acolhe gente do mundo inteiro todos os dias, realiza sonhos de todos os tamanhos, o parque de diversões de gente grande. Eu já comprei meu bilhete, logo as malas estarão prontas e vai começar a "brincadeira". Até daqui a pouco!


quarta-feira, 22 de maio de 2013

Interrogação


Sempre me falaram que a gente escreve o que vive, o que anda sentindo. E com certeza eu concordo, mas há exceções. Eu adoro traduzir o que eu sinto em palavras que, pelo menos para mim, faz sentido. Mas em contra partida, adoro inventar, fantasiar e criar situações que adoraria viver, ou que odiaria viver. Minha imaginação é tão fértil, um mundo para ser descoberto. Só que hoje essa vontade gigante de escrever virou um enorme ponto de interrogação. Dentro de mim está um turbilhão de emoções, um milhão de sentimentos, coisas, formas e afins. E eu não tenho palavras. Nem para me traduzir, nem para fantasiar. Acho que talvez as coisas ainda estão mal resolvidas aqui dentro, ainda não estão prontas para virarem palavras. 

A cada dia as coisas vão amadurecendo, se transformando. E a forma como eu lido com tudo isso, vai acompanhando o ritmo. 

No momento, estou pensando em tantas coisas e tenho tanta coisa para fazer, resolver, descobrir que me falta o ar. Gostaria que as coisas fossem simples como nas novelas, na qual pelo menos temos certeza do final feliz. Mas enfim, quem sabe a vida de verdade um dia se torne uma boa novela.  Enquanto isso, vou buscando minhas respostas e soluções nesse poço fundo chamado eu. 

Não sei se é coisa de signo, ou se é um defeito de fábrica mesmo. Gosto de entender o por quê de cada coisa ao meu redor. Se algo não está certo, eu só sossego se descobrir o motivo e a solução. E acredito que isso tenha sido a causa de 70% das minhas tristezas. A falta de respostas. Quem sabe um dia eu aprenda a lidar com isso tudo. Por enquanto vou apenas usar as palavras, mesmo elas estando escassas no momento, uma hora a fruta amadurece, e as palavras também, florescem para me fazer entender um pouco mais desse EU, lotado de pontos de interrogação.

Fiquei duas semaninhas fora e por mais inspiração que tinha, não consegui escrever nada, e pelo visto ainda não consigo. Mas logo boto o trem no trilho de novo. Logo, logo. Espero!


terça-feira, 21 de maio de 2013

400km e um coração.


Abro a janela de manhã e São Paulo acordou molhado. A chuva da madrugada passada não molhou apenas a cidade, molhou mais ainda aqui dentro. Estou indo embora e deixei meu coração em uma determinada rua dessa agitada metrópole.

Quando cheguei no terminal rodoviário me senti uma criança sozinha, perdida, indefesa, olhando todo aquele mundo de gente grande ao meu redor. Afinal, é quase isso né? Acho que eu ainda sou essa criança. Falando nisso, preciso registrar, nunca gostei dessa palavra "terminal" - mesmo que para ônibus - isso me lembra que chegou ao fim, término. E fim, nunca me faz feliz. Por que não pode ser apenas "rodoviária"? Mesmo sabendo que nesse caso é um até logo. Meu sub consciente não entende isso. Ele só processa o acabou, e quer ficar, ficar, ficar e fazer dessa rotina um presente (literalmente), e não mais um sonho que dura 15 dias.

Aiiii... Como dói deixar tudo que você ama. Metade de um lado, metade de outro. Não têm jeito de juntar tudo, oras? E eu fico no meio desses 400km tentando ser inteira nos dois lados. Um coração que fica divido em tudo que amo, e dentro de mim só o buraco, a falta, a saudade.

Mas a história está apenas começando. E tenho certeza que vai ter final feliz. Que espero que logo. Logo, logo! Tchau, SP! Até breve!