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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Primeiras semanas em São Paulo.


Duas semanas em São Paulo. O que eu posso dizer? Cheguei em São Paulo justo no dia que a cidade completava mais um ano. E de lá para cá, entendi o significado da palavra CORRERIA. E entendi também o por que dela viver na boca dos paulistanos. Sim, aqui é a uma correria sem fim e sem nome. Mas é uma correria gostosa. Uma correria que diz que você tem o que fazer, tem lugares para ir, hora para estar. O tempo voa por aqui. Uma correria que diz: Parabéns, você cresceu.

Tem gente que diz que Paulista é antipático. Bem, eu já achei o contrário. Durante esse curto tempo que estou aqui só conheci pessoas incríveis, simpáticas, solicitas e com uma vibe incrível. Uma coisa bacana de São Paulo é que aqui todo mundo está buscando alguma coisa, todo mundo quer seu lugar, independente de onde ele seja, todos estão na luta de algo, na luta pelos sonhos. E bem, agora sou mais uma por aqui.

São Paulo não passa mão na cabeça de ninguém. Não existe aquela facilidade que eu encontrava no Rio. Por lá é tudo pro dia seguinte, aqui é tudo para ontem. É um ritmo que estou pouco e pouco me acostumando. Pegar metrô lotado às 18h, dormir no ônibus e perder a parada, sair de casa antes do sol nascer, passar o dia andando e rodando sem comer. Nada mal. E o melhor? Me senti feliz em todos esses momentos.

Às vezes bate uma insegurança, um medo. Afinal, tenho 17 anos. Poderia estar em casa, dormindo o dia inteiro e comendo chocolate, ou poderia estar na faculdade perto de casa, ou até mesmo me preocupando apenas com namoricos e homens, como a maioria das garotas da minha idade. Mas não, estou aqui preocupada com o aluguel e no que vou fazer para o almoço. Responsabilidades que eu poderia não ter agora, como dizem, poderia curtir a vida. Mas a tal vida que curtimos é feita de escolhas. E se eu tenho que pular algumas fases, se eu tenho que amadurecer mais do que deveria, se eu devo ser forte para conseguir o que busco, então aqui faço minha escolha.

Mas em geral, na grande maior parte do tempo, me sinto feliz. E muito feliz. Grata a vida e ao universo assim de tudo estar conspirando, apesar dos pesares. Quando me sinto fraca, logo vejo um logo com "São Paulo" ou olho para o lado e vejo o movimento de pessoas e me lembro que é real. Sim, eu estou aqui. Sim, eu estou no caminho certo. E assim eu sigo. Com a cabeça erguida e fé.

Esse é apenas o começo mas me sinto feliz por começar com os dois pés direitos. Agora começa a faculdade, começa o emprego e uma nova fase.. O que me espera? Depois eu conto para vocês.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Último dia ou primeiro dia?


Hoje não foi um dia fácil, nem um dia curto.. Foi um longo dia, cheio de emoção e sentimento. Meu último dia na cidade. Bem, desde que o ano começou eu saiba que esse dia estava cada vez mais próximo, mas não esperava que fosse tão difícil sobreviver a ele. Hoje eu andei pelas ruas e parece que cada esquina me trazia uma lembrança, uma história divertida, uma pessoa que sinto saudade.. Quase consegui ouvir minha risada de porquinho ecoando através do tempo. Ah, o tempo... Ele passa! E passou.

Muita gente não entende essa minha escolha. Talvez seja loucura? Sim, talvez. Mas quem me conhece sabe que ser normal nunca foi a minha praia. Como eu sempre digo, eu não escolhi São Paulo, São Paulo que me escolheu. Desde pequena sempre fui sonhadora e metida a "dona do nariz" e até hoje sigo assim, olha como são as coisas.. Só que chega um momento que os sonhos que você faz todas as noites antes de dormir, os sonhos que você planeja, os sonhos que você perde o sono imaginando quando acontecer.. Chega uma hora que eles não cabem mais apenas no seu pensamento. Meus sonhos não cabiam na minha realidade. Então chega aquela hora crucial: Arregaçar as mangas e ir ou ficar com o rotineiro dia a dia aceitando o que vier. Vocês imaginam qual foi minha escolha, né?

Não foi fácil. Mas desde pequena aprendi que quando você quer muito uma coisa, do fundo do seu coração e fecha seus olhos e pede com força, o universo traz isso de alcance para você. Se isso faz seu coração pulsas, seu estômago girar com borboletas.. É o caminho certo. É por esse frio na barriga, pelo brilho nos olhos e pelo amor no coração eu sigo. Vocês não imaginam quanto isso é especial e importante para mim. Como eu conversava com uma amiga esses dias, muito mais que ir atrás de um sonho, é um experiência de vida que eu sinto que preciso colocar no meu currículo de vida.

Aqui eu tenho tudo que eu amo. Minha família, meus amigos, conforto e aconchego. Creio que vivi todos esses anos em uma bolha. As ruas de sempre, os lugares de sempre, as pessoas de sempre.. E não reclamo disso. Mas agora, eu preciso voar e ver o que existe atrás das montanhas, entendem? Sei que para alguns não está sendo fácil e acreditem, para mim também não. Mas tudo na vida é questão de costume e adaptação. 400km e meu coração divido.. Saiba que todos sempre estarão nele.

Quero agradecer de verdade por todo o apoio, todo carinho e força que estou recebendo. Não imaginam o quanto isso me faz bem. Acho que de nada vale a vida se não tocarmos o coração das pessoas e nesse momento sinto e sigo feliz por saber que de alguma forma, pequena ou grande, eu toquei o coração de vocês. E isso para mim, valeu por tudo! Obrigada a minha mãe, a minha família INTEIRA, aos meus amigos e até os colegas nem tão chegados que com todo carinho me apoiaram. Jamais esquecerei.

Hoje mudo meu endereço, telefone, cidade e documento. Mas não mudo meu jeito de ser, nem meus princípios e caráter. A Jade de sempre está aqui, essa que vocês conheceram. A Jade louca, divertida, que só fala verdade (hahaha), a que perdeu a vergonha e nunca mais achou, a irônica, preguiçosa, sarcástica, soneca, cantora ruim, fanática, doente.. E o que mais meus amigos quiserem chamar. Continuo a mesma e principalmente, pedindo sempre, apenas para ter sempre a alegria de viver, o sorriso estampado no rosto e a fé na vida. POR QUE O RESTO, TODOS SABEM QUE EU VOU ATRÁS.

"Como diz o velho provérbio hippie: “Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida”."

Amo vocês!!! E mais uma vez.. Obrigada por tudo!!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Eu e São Paulo.



Estava lembrando da primeira vez que fui a São Paulo. Tinha 14 anos e uma visão de mundo bem diferente da que eu tenho atualmente. Fui viajar pela primeira vez "sozinha" para um lugar que eu não conhecia. Cheguei em SP como se fosse criança pela primeira vez em um parque de diversão. Foi uma sensação gostosa, de liberdade, de pela primeira vez poder fazer algo assim, algo que eu queria muito. Fui uma pessoa e voltei outra.

Da segunda vez a mesma coisa, da terceira idem.. E assim foi. Todas as vezes que eu vou para São Paulo sinto a mesma coisa quando chego e a mesma dor quando vou embora, como se eu deixasse um pedaço de mim, esquecesse lá o coração e voltasse metade. E da primeira vez para cá já são quase 3 anos. A diferença é que na primeira vez eu fui como "marinheira de primeira viagem", mais perdida que cego em tiroteio (me senti um velha usando essa expressão agora), e com o passar desses anos fui aprendendo como funcionava as coisas e a viagem virou rotina. Mas mesmo assim, continua me encantando! Aprendi que nessas 6h de RJ-SP é melhor dormir de pernas cruzadas e com a cortina fechada, aprendi a levar sacolinha de lixo, a almoçar sempre na parada (por motivos de: comida gostosa), aprendi como funciona cada ala das rodoviárias, o metrô e as lojinhas de conveniências que encontro no caminho, descobri aquela lanchonete na rodoviária que tem o melhor joelho de frango do planeta, aprendi a nunca deixar para comprar água na rodoviária (os preços são absurdos), aprendi a passar o tempo, a levar mais de um livro na bolsa e a economizar a bateria do celular. Fui aprendendo, me adaptando, fui descobrindo um amor, amor grande por São Paulo.

O mais legal, é o amadurecimento que eu adquiri com isso tudo, os lugares incríveis que eu conheci. O parque que me lembra das minhas raízes, a Avenida que lembra de sonhar, o céu que me lembra de quem eu amo, as ruas que fazem ter certeza que a nossa história se faz andando. Um passo de cada vez, SP foi me cativando, me mostrando um milhão de coisas e sentimentos. Foi quando decidi que estava na hora de tornar esse nosso relacionamento sério, e resolvi assumir. Decidi que ia chama-lo de lar, que ia construir minha história em meio aos seus prédios. Fazer os meus rabiscos coloridos em cima dos seus cinzas.

E agora estamos aqui, a 6 meses de mudar meu endereço, número de telefone e identidade. Mudar também a rotina, os hábitos e até o guarda roupa (adeus shortinhos e olá frio paulistano). Como se fosse um presente que está lá me esperando, com o bilhete de "bem vinda" pronto para ser aberto e descoberto. Hoje me sinto segura disso tudo e quando eu lembro da primeira vez que estive por lá, me faz ter mais certeza ainda. Não sei como vou me sentir quando tudo isso virar uma rotina longaaaa e quando essa rotina de hoje, aqui no RJ, virar apenas um doce passado. Mas de verdade, isso não me preocupa agora. Cansei de pensar no que deixo e comecei a pensar no que pode e vai vir. Torna as coisas mais fáceis. 

São Paulo é terra de todo mundo, acolhe gente do mundo inteiro todos os dias, realiza sonhos de todos os tamanhos, o parque de diversões de gente grande. Eu já comprei meu bilhete, logo as malas estarão prontas e vai começar a "brincadeira". Até daqui a pouco!


terça-feira, 21 de maio de 2013

400km e um coração.


Abro a janela de manhã e São Paulo acordou molhado. A chuva da madrugada passada não molhou apenas a cidade, molhou mais ainda aqui dentro. Estou indo embora e deixei meu coração em uma determinada rua dessa agitada metrópole.

Quando cheguei no terminal rodoviário me senti uma criança sozinha, perdida, indefesa, olhando todo aquele mundo de gente grande ao meu redor. Afinal, é quase isso né? Acho que eu ainda sou essa criança. Falando nisso, preciso registrar, nunca gostei dessa palavra "terminal" - mesmo que para ônibus - isso me lembra que chegou ao fim, término. E fim, nunca me faz feliz. Por que não pode ser apenas "rodoviária"? Mesmo sabendo que nesse caso é um até logo. Meu sub consciente não entende isso. Ele só processa o acabou, e quer ficar, ficar, ficar e fazer dessa rotina um presente (literalmente), e não mais um sonho que dura 15 dias.

Aiiii... Como dói deixar tudo que você ama. Metade de um lado, metade de outro. Não têm jeito de juntar tudo, oras? E eu fico no meio desses 400km tentando ser inteira nos dois lados. Um coração que fica divido em tudo que amo, e dentro de mim só o buraco, a falta, a saudade.

Mas a história está apenas começando. E tenho certeza que vai ter final feliz. Que espero que logo. Logo, logo! Tchau, SP! Até breve!