quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Levantar vôo

Não prenda minhas asas, não atrapalhe meu vôo, não fique na frente do caminho, não me arraste a qualquer lugar, não feche as janelas. Deixo sempre a mala pronta, meu oi pode ser tchau e assim eu vou.

Eu sempre sonhei com o uma estabilidade madura, um emprego firme, uma vida boa, tranquilidade, paz.. Mas em uma das voltas que a vida deu, tudo perdeu o sentido, eu não queria nada mais, não quero nada mais.. E o que eu quero? O que vai aquecer meu coração em dias que eu não souber mais para onde ir? Se todo passarinho tem seu ninho, aonde é o meu? Sinto-me com asas engessadas, sinto que tem tanto a me esperar, sinto que essa estabilidade não é meu caminho, pelo menos não por agora..

Eu quero mesmo é voar, é mergulhar em nuvens e descobrir a tonalidade do azul do céu, quero ver de cima cidades e de baixo descobri-las, quero abrigar em mim saudades em vários cantos do mundo, quero ver emoção e culturas, quero me aventurar em algo que eu nunca ousei arriscar, quero ser livre, experimentar essa liberdade sem culpa, sem amarras, apenas seguindo o coração. 

Cada dia mais eu entendo aquela história de não querer crescer, eu quero mesmo é ser criança para sempre, me ver sempre pequena e indefesa do colo da minha mãe. Me lastima esse mundo cruel, me dói a realidade fria, a falta de afeto.. E eu me afasto! Procuro verdade, em pessoas, sentimentos, lugares. Procuro a minha intensidade, entrega e paixão.. Procuro insanidade! 

Até quando vale a pena seguir o lado racional da vida quando você é completamente emoção? Quando cada célula do seu corpo pede entrega e você se amarra. O que fazer quando sabe que se precisa ser mas a falta a capacidade de ser fria e ignorar a voz interior que te grita: "corre, corre muito até conseguir voar" é muito mais alta?

Talvez meu caminho esteja mesmo no céu, no meio das nuvens, de mãos dadas com os pássaros e cantando.

sábado, 9 de janeiro de 2016

O novo começo.


"Mude, mas comece devagar porque a direção importa mais que a velocidade."

Talvez olhando para 2015 possa defini-lo com essa frase. Não foi um ano fácil. A mim particularmente, foi um ano que começou de uma maneira muito difícil, sem expectativas, mas que me surpreendeu pela forma doce e dura com que me ensinou lições. Dei azar e tive sorte, com isso aprendi que dias ruins são necessários para os bons valerem a pena. Realizei sonhos e descobri que quando desejamos algo do fundo do nosso coração, o universo conspira. Tive fé, e a fé e a coragem me deram as mãos e por ao longo dos meses desse 2015 estiveram sempre ao meu lado não me deixando cair. Superei dores que não pensava superar, descobri também que a dor chamada saudade sempre te acompanha quando se escolhe voar. E como voei! Voei por escolhas, por dias de fé e por indecisões. Voei por estados, abraçando amigos e matando e deixando saudades. Mergulhei nos altos e baixos sempre sorrindo.. Mas se eu pudesse dizer uma coisa para esse 2015 seria obrigada. Gratidão! Apenas gratidão! Pelo aprendizado, por me ensinar a superar. Talvez tenha sido o ano de crescer de verdade. Não um ano como eu queria, mas sim, um ano como eu precisava. Obrigada por me devolver a esperança e a alegria de viver. Obrigada por me ensinar a valorizar o mais simples da vida. Obrigada por me fazer sonhar com pés no chão. Obrigada por não me deixar perder a essência de menina mesmo com os tombos. Obrigada pelo impulso de ir além e conquistar o que eu quiser.
Que em 2016 possamos continuar mudando devagar, sem pressa de grandes acontecimentos, desfrutando de cada momento ao lado de quem se ama, tirando aprendizado das lições e indo atrás sempre do que se realmente quer. Mesmo com o nosso mundo em pleno caos de guerra, crise política, brigas de religião e tanta dor ao redor de todo o mundo, ainda sim, hoje nos reunimos de esperança e no primeiro minuto do ano enchemos nosso coração de amor e pedimos "paz". Que seja um ano de paz. E que possamos fazer nossa parte a cada dia para chegarmos lá. Que a esperança e a vontade de fazer diferente não nos abandone em nenhum momento. E que, acima de tudo, possamos sorrir para 2016, porque quando a gente sorri para o universo, ele sorri para gente também.
Feliz 2016! Que seja o melhor ano de nossas vidas!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Eu gosto dos que gostam de futebol.



Hoje em uma conversa aleatória, veio o seguinte assunto em pauta: futebol. E com ele a divisão dos que amam futebol x não gostam de futebol. Durante muito e muito tempo futebol era "coisa de homem" e o cara que não gostava de futebol, que não entendia, ou não discutia.. Coitado! E hoje vivemos uma realidade totalmente diferente, mulheres muitas vezes acabam sendo mais apaixonadas por futebol do que homens, entendem e jogam (tem vezes) mais que muito cara por ai. E é comum também encontramos caras que simplesmente não curtem mesmo futebol. É completamente aceitável e comum.

Mas o ponto da minha pauta é outro..

Homens e futebol. Algo historicamente que tem tudo a ver, que se acrescentar ainda uma cerveja e um dia de sol com churrasco é a combinação perfeita. E hoje parei para pensar nisso, o quanto o futebol é importante para formação do homem. É um jogo, como muitos dizem, idiota, 12 caras correndo atrás de uma bola. Mas fala sério, nada no mundo da mais emoção do que aquele gol suado aos 45 do segundo tempo que consagra o time campeão, ou aquela vitória de virada em um clássico. Futebol é indispensável na vida humana! O cara que cresce vendo futebol ele é competitivo, ambicioso, luta pelo que quer e não se rende fácil. A vida é um jogo de futebol. O campeonato mais difícil que a gente disputa. Um dia estamos no G4 e 5 derrotas depois estamos caminhando pro rebaixamento. É técnica, regra, matemática, estratégia e habilidade. Jogo de corpo e mente que só resulta emoção. O cara que entende de futebol, entende da vida. O cara que conhece futebol sabe muito mais do que o jogo nas quatro linhas, ele sabe se portar e se defender, sabe se impor, sabe que no jogo da vida só os melhores sobrevivem. 

Eu gosto mesmo de caras que gostam de futebol. Eu até curto um videogame e uma discussão literária de vez em quando, mas fala sério, eu tenho amigas para isso. Nada mais sexy que discutir futebol com um cara que você tá afim, ou ir pro estádio com alguém especial. Nada mais instigante que apostas, que a cerveja gelada e o xingamento ao juiz. Futebol une as pessoas, é a alegria da nação. Futebol ensina mais que a gente pensa, é categórico o raciocínio mas cheinho de fatos. Quem gosta de futebol gosta do que a vida tem de melhor e não faz fita para impressionar, a gente relaxa e pede mais uma enquanto rola o show do intervalo e que se dane o amanhã. 

Eu gosto dos que param no meio da rua no barzinho só para ver o resultado do jogo, ou daqueles que estão assistindo paraná x avaí apenas pelo fato de assistir futebol. Eu gosto dos que adoram uma zoação e não importa o quanto o zagueiro faça merda, sempre mesmo vão defender e xingar seu time. Eu gosto dos que entendem que futebol não é prioridade, mas quase sempre as prioridades são menos importantes que o sagrado futebol.

Eu gosto dos que gostam de futebol, dos que relaxam e não gostam de mimimi. Gosto dos que aproveitam a vida enquanto esperam pelo gol.

domingo, 13 de setembro de 2015

Como dizer sem dizer palavras?


Aquela só era mais uma madrugada de inverno em que as coisas estavam difíceis, mas a primavera estava chegando e ela esperava que chegasse junto, dias melhores.

Mas porque temos sempre que esconder o que a gente sente?

O monstrinho do ciúme andava junto com o monstrinho da insegurança, que se juntava com as expectativas frustradas e a falta de jeito para se expressar. Ela simplesmente não sabia o que fazer. Ela olhava o teto, fechava os olhos e só conseguia pensar que ele era tudo que ela mais queria agora. Mas já estava tarde e chovia lá fora.. 

Ela não queria viver naquele mundo onde ela precisava a todo tempo reprimir o que ela sentia, tinha que viver como se fosse um jogo de xadrez, abusando da lógica e de estratégias. Ela tinha absoluta certeza que o amor não era um jogo e ela só queria mergulhar, se entregar, sofrer se fosse preciso mas sentir que era de verdade até a última gota. Detestava a sensação que ficava sempre presa com ela, de palavras não ditas, de coisas não feitas. Mas não a culpe, você também às vezes joga esse jogo. E mais uma lágrima rolava pelo seu rosto, ela estava cansada. 

Ela só não queria mais desejar boa noite, ela queria beijar a testa dele e vê-lo dormir. Ela só não queria mais ter que esperar um convite, ela queria busca-lo. Ela só não queria ouvir, ela queria falar. Ela queria contar do passado e das coisas boas que ela aprendeu, dos lugares que foi e como era estabanada. Ela queria faze-lô rir e não apenas conversas esporáticas e breves nas quais ela mesmo assim se afogava em esperança. Ela queria não seguir o manual e dizer que gostava tanto de estar com ele e que as coisas tinham mudado tanto dentro dela desde que ele chegou. Mas ela se calava. Como você também se cala. Acho que fomos domesticados por esse jogo.

Mas são apenas aparências. O que a gente demonstra na foto postada no facebook feliz de sábado a noite nem de longe reflete como estava nosso coração e pensamento, mas aqui pelo menos te conto o segredo dela: seu coração estava apertado de saudade e o pensamento o tempo todo nele. E nem a melhor festa, nem as melhores companhias, nem os melhores sorrisos se comparam com a paz a calma que ela tem quando está nos braços dele. Isso tudo é segredo! Porque entre mentiras de lá e aparências de cá, a gente acaba enganando nós próprios e ainda nos perguntamos se tudo é real.. Não é real, ou se é, estamos estragando tudo. Por que é pecado envolver sentimento? Admitir que está apaixonado? Ser verdadeiro consigo mesmo, ora bolas.

O frio e a tpm estavam maltratando ela aquela noite, porém, não mais que seu pensamento e aquela vontade de saber da boca dele como tinha sido o final de semana. Ela queria ser sincera consigo e com ele, ela só queria que aquilo tudo tivesse um jeito, não queria de jeito nenhum perde-lo, mas não sabia nem de longe o que fazer. Seus monstrinhos estavam a todo gás. Ela falava baixinho antes de dormir com o travesseiro na esperança que ele, lá de longe, escutasse e entendesse que não era a intenção dela esconder, ela só não sabia como dizer. Que sentia, que sentia muita coisa por ele, só que depois de tanto cair, ela se assusta quando vê o chão..

Ela tá tentando, e muito, pisar para pegar impulso e voar com ele, e eu sei só falta ele segurar a sua mão.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O pseudo amor.


Ele não apareceu no melhor dia, nem no pior dia da minha vida. Ele apenas apareceu quando tinha que aparecer, no momento certo. Ele tinha um jeito relaxado e todo descontraído, um sorriso lindo e uma postura tão segura, na forma com que se portava, gesticulava e se expressava, que eu simplesmente perdi a fala.

"Você não tem nome não?"

Naquele momento eu mal me lembrava dele. 

Não lembrava também que existia dentro de mim a capacidade de me permitir ao novo, de amar mais uma vez. Ele falava da vida, sobre a economia, da família e da profissão como se nos conhecêssemos há séculos. Depositava tanto entusiasmo e verdade em cada palavra que me contagiava e, naquele momento, o meu nome foi facilmente esquecido por mim. Mas não por ele.

"Você tem alguém? Ou deixou alguém?"

"Não, sou de poucos amores."

"E se eu for o seu pseudo amor?"

Ele estava alterado pelo álcool, mas mesmo assim eu sorri.

"Acho que quando tiver que ser, o destino se encarrega."

Mas.. "E se?"

A mensagem dele chegou um dia depois no meu celular. E eu fingi que não passei as últimas 24h lembrando do quão bom era seu beijo e como nossos corpos se encaixaram quando ele me puxou pela cintura e nos abraçamos, parecendo mágica. O papo foi se estendendo e o que foi uma ficada irreal de sábado à noite, tornou-se expectativa. E eu só queria vê-lo outra vez.

Aquela sensação de paz estava voltando ao meu coração, dessa vez sem jogos. Era um recomeço! Um bonito recomeço. Quando ele me olhou no fundo dos olhos e sorriu, eu esqueci que um dia tinha prometido me fechar e viver sozinha toda a vida e nunca mais amar e me iludir. Tudo isso perdeu o valor. 

Eu já estava iludida.

Mas não é assim também como você está pensando, é uma ilusão diferente. Porque por mais que eu relute, sei, no fundo do coração, que a vida são instantes e viver esperando a perspetiva do eterno é afogar-se em um mar profundo de angústias e desilusão. E se amanhã ele sair da minha vida, eu voltarei a viver, voltarei a sorrir (depois de um tempinho, vai), amarei outras vezes, virão outros caras. Mas confesso que o pulo repentino que meu coração deu quando eu o vi adormecer abraçado a mim, será impossível esquecer.

Acredito que as pessoas costumam dizer que o verdadeiro amor é eterno por essa razão: por mais que ele se vá, ele sempre permanece. Dentro de cada um de nós, nas lembranças e em cada momento do cotidiano, te fazendo lembrar e amar ele às 19h em uma noite chuvosa de verão só porque ele te avisou para nunca sair de casa sem guarda-chuva. Em cada algo bom e ruim que ele te ensinou, no seu processo de maturidade e na madurez do próprio sentimento. Definitivamente você sempre vai ter uma parte dele com você e não importa se durou um dia ou um ano, a intensidade que determina o que foi pleno. 

Por exemplo eu bem sei que sempre lembrarei com doçura da sua segurança e do carinho no olhar. Lembrarei das ruas e macetes, das artes e da rotina agitada que acabei decorando. Lembrarei do quanto admiro a grandeza e força, também sua determinação. Lembrarei que amo seu coração enorme que abre os braços, me abraça e cuida do mundo inteiro. Lembrarei do orgulho que sentia em vê-lo um menino dentro de um homem tão decidido. Lembrarei que discutíamos futebol sorrindo e das promessas no pé do ouvido. Lembrarei do corpo quente e do abraço. Lembrarei ainda que pensar em um futuro ao lado de alguém que não faz apenas o seu corpo, mas também sua alma, vibrar inteira de pura de emoção e êxtase, é incrível. Me faz querer ser melhor e maior todos os dias e me empolga continuar indo atrás de tanta coisa.. 

Mas se esse futuro na verdade não precisar ser conjugado em um futuro do indicativo e for muito bem vivido, e contado apenas no presente, sendo de fato um presente, ao lado dele, terá valido a pena tudo isso.

Como também, se no futuro virar lembrança, e um doce passado, continuarei lembrando com o mesmo amor que sinto hoje.

Porque na verdade não importa qual será o próximo passo que daremos juntos, nós já demos o primeiro. E independente das escolhas, meu pseudo amor continuará sendo você. 

Fingimos ter paciência.


Talvez seja um erro exigir tanto de si mesmo e do mundo. Esperar por milagres diários e que as coisas funcionem de acordo com o nosso roteio. A gente, por incansáveis vezes tenta o plano A e B, C.., Z, e logo as opção se esgotam e você para. Pela primeira vez se vê perdida. E agora? Não é tão simples assim. Quando encaramos nosso reflexo e enxergamos uma frágil camada de alguém que você não se orgulha de ser, tudo começa a perder o sentido e, mudar sua vida, parece cada vez mais complicado.

A vida, em toda sua singela complexidade, no fundo é simples. Mas olha... Ela nunca foi tão difícil! Por isso estou aqui agora, começo da tarde, um céu bonito, sozinha (como sempre), em algum ponto de paz no meio da barulhenta cidade. Não sei por que, mas sempre encontro paz quando estou perto da natureza. Olhar ao meu redor, ouvir o canto dos passáros e ver um esquilo desfilando na minha frente, me faz lembar daquela música do Lenine, "Paciência".. 

"Eu finjo ter paciência.."

A vida é mesmo tão rara!

Meu professor falava ontem na aula sobre motivação, lembro de uma parte que ele citou que, sem motivação, mal levantaríamos da cama e provavelmente teríamos que tomar "remedinhos". E bem, "remedinhos" eu já tomo, mas comecei a pensar no que me faz levantar da cama. Qual é a minha motivação? Sendo bem fria, apenas meu ofício. Meus estudos, a faculdade. De restante, fico na minha cama, muito bem, obrigada. E isso nem de longe é saudável e nem pode ser considerado "vida", ao meu ver. Indo ainda mais além no pensamento, me peguei pensando.. E o que me motiva a continua vivendo então?

Pensei.
Pensei.
Pensei.
Como eu pensei..

A possibilidade de um futuro melhor. Arrisco dizer que, grande parte do mundo, também chegaria a mesma conclusão. Aquela esperança que grita para aguentar firme que o amanhã vai ser sim melhor. Confia, menina. Eu tô falando que vai! 

Será?

Até onde é esperança ou ilusão? Está mesmo em nossas mãos mudar o nosso destino ou fazemos parte apenas de um sigiloso acaso? Porque ultimamente me sinto de mãos atadas perante ao destino, nada parece conspirar e todas as tentativas acabam fracassando, gerando decepção e mais dúvidas. Mas ai a esperança volta a gritar: "Calma! Vai passar, aguenta firme!" E eu sigo esperando. Confio nela, não me pergunte por que. Nem por que confio, nem por que minha cor favorita é verde. Só acho que devo (e devemos) confiar na esperança. Talvez ela saiba algo que eu não sei sobre esse tal de futuro que eu tanto me preocupo..

Poderia dizer que hoje foi mais um mal dia. Talvez tenha sido, talvez seja uma má semana, ou posso ter esperança e paciência. Talvez amanhã seja um bom dia com boas notícias, afinal, ela me mandou confiar. 

Mas dizem que na primavera tudo renasce mais bonito e, eu espero, que com ela chegando, as cores também voltem para a minha vida. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Só quem sabe é a lua..


Só aquela lua cheia no céu sabe de tudo, sabe dos segredos mais íntimos que compartilharam. Ela sabe do choque do encontro, sabe do cheiro que a saudade tinha, sabe do gosto amargo que foram anos de espera para finalmente estarem ali, sob a mesma lua e dentro no mesmo abraço.

Só ela que via tudo lá do céu sabe que foi com um sutil e leve toque que explodiu o caos, que fugiu do controle qualquer sanidade. O papo se perdia, a química gritava, não era algo lógico, era necessidade. Puramente pele, sentidos, todos os cinco, implorando a gritos por mais. 

No mundo da razão, agiriam com cautela e iriam embora calando tudo que gritava e sempre gritou dentro deles. Mas não essa noite, não sob essa lua.. 

As mãos enlaçaram a cintura e os lábios finalmente se chocaram contra a pele. Saíam faíscas que calavam o certo e errado. Certo é isso que se sente, certo é a boca deslizar pela pele do outro até encontrar a outra boca receptiva, certo é a agressividade do beijo, a forma fugaz de se pertencer. Errado é calar isso, errado somos todos.. 

Quando as mãos procuraram por mais e o corpo dá sinal que siga, os sentidos ganham seu mais e as peças de roupas são pouco a pouco sendo desfeitas e perdidas pelo caminho. A mão que aperta, bate e puxa é a mesma que envolve e conduz, o olhar que te deseja absurdamente é o mesmo que escancara mentiras, a boca que morde, chupa, beija, lambe é a mesma que diz o que você quer e não quer ouvir e o corpo que pesa sobre o seu, suado, moldado, deliciosamente pecado é o mesmo que depois vai embora e desaparece sem vestígios.. 

A vergonha da nudez é arremessada longe com as peças de roupa, e qualquer razão contrária também. O prazer tem dessas vezes de tomar decisões em nosso nome e até que  gostamos disso. Só é necessário se descobrir e descobrir o outro e no outro o que mais quer, o que se busca.. Te invade com força e com sentimentos confusos e passado com presente embaralhados, não faz mais parte de você, mas está em você e esse é o momento de vocês. Pode ser o último, deve ser o último. 

Então é hora de fechar os olhos, aproveitar cada instante dessa esmola de amor. Senti os movimentos, o peso, os apertos e beijos, ver o olhar, tocar os lábios, deita-lo no seu peito, trocar carinhos, se sentir mulher. Até que explode.. E do caos nascem as estrelas. 

Com um olhar discreto de quem guarda mil segredos a partir de agora e um abraço frio depois da noite quente, os dois sabem que a vida segue caminhos diferentes. Foi o adeus. O ciclo fechou. Ainda bem! Ela seguiu em frente, ele virou as costas e foi para trás e é como se aquela noite nunca houvesse existido.. 

Mas só quem sabe de tudo é aquela lua cheia que reinava no céu.. E fim.